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GIRASSOL


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A boa música popular brasileira  na voz de Efrahim Maia.Uma das minhas composições preferidas: Girassol.




"Ando feito folha de outono/nas galhas do inverno/lua solitária vagando perdida no céu/
 Sou girassol
 Sou girassol procurando uma fresta num dia cinzento
 Um bemol num acorde de notas trocadas tocadas ao vento
 Minha paz tá confusa/buscando a tormenta
 Cuidado comigo
 Uma folha se perde/se você me tenta/eu posso voar
 Não brinca comigo
 Que eu sou feiticeiro/sou frágil/sou forte/sou meio felino
 Sou feito menino
 Meu beijo mais doce/te pode matar
 Eu viajo no vento/ e nas noites de frio
 Depois que adormece/ te faço sonhar
 Me deito em seu leito/ do jeito que um rio/ se deita nas pedras/ se aninha e amanhece
 Dormindo com o mar..."


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"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, 
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."


Guimarães Rosa

AMOR - Fernando Pessoa


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"Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um."

ILÍADA - informações complementares - 6ª série


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A guerra de Tróia é um evento mitológico grego descrito na famosa Ilíada de Homero (e também citado na Odisséia, do mesmo autor), narrando o longo conflito entre gregos e troianos que segundo o poeta, foi motivado pelo rapto de Helena. Embora existam indícios de que a guerra tenha ocorrido de fato por motivos econômicos e políticos, a história mais famosa é a que chegou através do poema épico.

A Obra Ilíada

Uma das mais importantes da literatura mundial, não conta literalmente toda a história da guerra, suas origens e causas. Apenas através das referências que faz a inúmeros outros mitos e de informações de outras obras se consegue ter uma visão completa. É dividida em cantos que já se iniciam no décimo ano da guerra e tem como personagens principais: entre os gregos Aquiles, maior dentre os guerreiros e seu companheiro Pátroclo; Agamênon, rei de Micenas e seu irmão Menelau, rei de Esparta e marido de Helena; Odisseu (ou Ulisses) rei de Ítaca e dotado de grande inteligência. Entre os troianos temos a própria Helena, o rei de Tróia Príamo e  seus filhos:  Páris, que raptou Helena e  Heitor, nobre e habilidoso guerreiro.






Origem e Conclusão na Mitologia

Outra lenda narra a origem mitológica para a guerra: o nascimento de Páris é profetizado como sendo o de quem trará a ruína de Tróia mas seus pais incapazes de matá-lo entregam-no para um pastor para que o faça. O próprio também é incapaz de fazê-lo e cria-o entre os demais pastores do monte Ida. Páris então se envolve na contenda entre três deusas, Atena, Hera e Afrodite, para decidir qual é a mais bela dentre elas. Ao escolher Afrodite, ele recebe a promessa do amor da mais bela dentre as mulheres, Helena. Depois de retornar à corte de Tróia e reassumir seu lugar, Páris é enviado a Esparta em uma missão diplomática, aonde se apaixona por Helena e a rapta para Tróia, dando início à guerra. Helena era tão bela que seu casamento só pôde ocorrer sem conflitos através de um pacto entre todos os reis, que juraram honrar e proteger a união. Dessa forma, Menelau convocou a todos para auxiliá-lo na batalha contra Tróia e os gregos lançaram-se ao mar. Somente através da obra Odisséia, nas aventuras de Ulisses, é que se tem notícia do estratagema do cavalo de Tróia e da derrota desta cidade.


Alguns deuses e divindades

Zeus - foi  o rei dos deuses e chefe de 12 deuses que viveram no Monte Olimpo.

Atena - era a deusa da Guerra, do conhecimento e de Atenas.Ela ajudava os heróis na batalha.

Poseidon - era o irmão de Zeus e Hades e deus dos mares e terremotos.

Afrodite - era a deusa do  amor e da beleza.

Hades -  deus do submundo - o lar dos mortos nas lendas gregas.




Livros


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"Não era simplesmente por amar lê-los.Sim, amava.Amava todavia, mais forte e irresistivelmente as páginas, as letras enfileiradas, o cheiro do papel impresso.Amava-os por possuir, a posse que a encantava.Era preciso que ela os possuísse.Preciso e necessário.Tê-los ao redor, encarando-a, empilhados como que aguardando pacientes pela escolha."

"Tô indo..."


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Pro meu canto.Recarregar as baterias.Sentir cheiro de terra molhada.Manga tirada do pé.Cheiro de flor de laranja.Grilo.Cigarra.Pôr de sol.Passarinho.Folha.Fruto.Sossego.Fé.

SOBRE MUROS E LAMENTAÇÕES


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Clarice Lispector já disse que escrever funciona como uma libertação.Verdade.Com tanta tecnologia à nossa disposição, fica mais fácil ainda, sem precisar de caneta e papel.Resolvi escrever a lamentar. 
Já não temos necessidade de recorrer a um grande muro e sobre ele derramar nossas lágrimas e lamentos.Há 20 a.C. Herodes construiu uma grande muralha.O imperador, Tito deixou de pé uma parte dessa muralha para mostrar ao mundo a grandeza dos soldados romanos que ousaram destruí-la.Os judeus costumam orar , chorar e lamentar junto ao muro, que hoje é considerado um lugar de culto religioso.Como não temos muros, construímos verdadeiras muralhas em volta de nós mesmos:lamentamos, julgamos,não reagimos.De que adianta tanto lamento?
Percebo que tão utópica quanto a perfeita harmonia, a solução mágica para os problemas não existe.É tão fácil somente lamentar...Tão difícil recarregar nossas energias em função de nós mesmos e daqueles que amamos!
A força maior está Naquele que há tempos nos consola, sempre presente, sem julgamentos ou condições.Que abre nosso coração para a prece e enche de esperança.Faz-nos acreditar que somos aquilo que desejamos, de alma e coração puros.
O que agora é essencial : transformar meu muro em esperança.

DOM CASMURRO - Roteiro de estudo - 7ª série


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Caros alunos, ler Machado de Assis é muito mais do que uma obrigação; é um modo de compreender melhor a sociedade na qual vivemos e da qual usufruímos. Valores éticos e morais muitas vezes são relativizados. E foi essa máscara que Machado de Assis levantou com destreza, bom humor e ceticismo. 


1.           Enredo

Vivendo no Engenho Novo, um subúrbio da cidade do RJ, quase recluso em sua casa, construída segundo o molde da que fora a de sua infância, na Rua de Matacavalos, Bento de Albuquerque Santiago, ,com cerca de 54 anos e conhecido pela alcunha de Dom Casmurro por seu gosto pelo isolamento , decide escrever sua vida.

Alternando a narração dos fatos passados com a reflexão sobre os mesmos, no presente, o protagonista/narrador informa ter nascido em 1842 e ser filho de Pedro de Albuquerque Santiago e de D. Maria da Glória Fernandes Santiago. O pai, dono de uma fazenda em Itaguaí, mudara-se para a cidade do RJ por volta de l844, ao ser eleito deputado. Alguns anos depois falece e a viúva, preferindo ficar na cidade a retornar a Itaguaí, vende a fazendola e os escravos, aplica o dinheiro em imóveis e apólices e passa a viver de rendas, permanecendo na casa de Matacavalos, onde vivera com o marido desde as mudança para o RJ.

A vida do protagonista/narrador transcorre sem maiores incidentes até a 'célebre tarde de novembro' de 1857, quando, ao entrar em casa, ouve pronunciarem seu nome e esconde-se rapidamente atrás da porta. Na conversa entre sua mãe e o agregado José Dias, que morava com a família desde os tempos de Itaguaí, Bentinho, como era então chamado, fica sabendo que sua mãe se mantém firme na intenção de colocá-lo no seminário a fim de seguir a carreira eclesiástica, segunda promessa que fizera a Deus caso tivesse um segundo filho varão, já que o primeiro morrera ao nascer.

Bentinho, que há muito tinha conhecimento das intenções de sua mãe, sofre violento abalo pois fica sabendo que a reativação da promessa, que parecia esquecida, devia-se ao fato de José Dias ter informado D. Glória a respeito de seu incipiente namoro com Capitolina Pádua, que morava na casa ao lado. Capitu, como era chamada, tinha então catorze anos e era filha de um tal de Pádua, burocrata de uma repartição do Ministério da Guerra. A proximidade, a convivência e a idade haviam feito com que os dois adolescentes criassem afeição um pelo outro. D. Glória, ao saber disto, fica alarmada e decide apressar o cumprimento da promessa. Os planos de Capitu, informada do assunto, e Bentinho para, com a ajuda de José Dias, impedir que D. Glória cumprisse a decisão ou, pelo menos, a adiasse, fracassam. Como último recurso, o próprio Bentinho revela à mãe não ter vocação, o que também não a faz voltar atrás. Tio Cosme, um viúvo, irmão de D. Glória e advogado aposentado, que vivia na casa desde que seu cunhado falecera, e a prima Justina, também viúva, que, há muitos anos, morava com a mãe de Bentinho, procuram não se envolver no problema. Assim, a última palavra fica com D.Glória, que, com o apoio do padre Cabral, um amigo de tio Cosme, decide finalmente cumprir a promessa e o envia ao seminário, prometendo, contudo, que se dentro de dois anos não revelasse vocação para o sacerdócio estaria livre para seguir outra carreira. Antes da partida de Bentinho, este e Capitu juram casar-se.

No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de Souza Escobar, filho de um advogado de Curitiba. Os dois tornam-se amigos e confidentes. Em um fim de semana em que Bentinho visita D. Glória, Escobar o acompanha e é apresentado a todos, inclusive a Capitu. Esta, depois da partida de Bentinho, começara a frequentar assiduamente a casa de D.Glória, do que nascera aos poucos grande afeição recíproca, a ponto de D.Glória começar a pensar que se Bentinho se apaixonasse por Capitu e casasse com ela a questão da promessa estaria resolvida a contento de todos, pois Bentinho, que a quebraria, não a fizera, e ela, que a fizera, não a quebraria.

Enquanto isto, Bentinho continuava seus esforços junto a José Dias, que, tendo fracassado em seu plano de fazê-lo estudar medicina na Europa, sugeria agora que ambos fossem a Roma pedir ao Papa a revogação da promessa. A solução definitiva, contudo, partiu de Escobar. Segundo este, D. Glória prometera a Deus dar-lhe um sacerdote, mas isto não queria dizer que o mesmo deveria ser necessariamente seu filho. Sugeriu então que ela adotasse algum órfão e lhe custeasse os estudos. D. Glória consultou o padre Cabral, este foi consultar o bispo e a solução foi considerada satisfatória.

Livre do problema, Bentinho deixa o seminário com cerca de 17 anos e vai para São Paulo estudar, tornando-se cinco anos depois, o advogado Bento de Albuquerque Santiago. Por sua parte, Escobar, que também saíra do seminário, tornara-se um comerciante bem-sucedido, vindo a casar com Sancha, amiga e colega de escola de Capitu. Em l865, Bento e Capitu finalmente casam-se, passando a morar no bairro da Glória. O escritório de advogacia progride e a felicidade do casal seria completa não fosse a demora em nascer um filho. Isto faz com que ambos sintam inveja de Escobar e Sancha, que tinham tido uma filha, batizada com o nome de Capitolina. Depois de alguns anos, nasce Ezequiel, assim chamado para retribuir a gentileza do casal de amigos, que dera à filha o nome da amiga de Sancha.

Ezequiel revela-se muito cedo uma criança inquieta e curiosa, tornando-se a alegria dos pais e servindo para estreitar ainda mais as relações de amizade entre os dois casais. A partir do momento em que Escobar e a Sancha, que moravam em Andaraí, resolvem fixar residência no Flamengo, a convivência entre as duas famílias torna-se completa e os pais chegam a falar na possibilidade de Ezequiel e Capitulazinha, como era chamada a pequena Capitolina, virem a se casar.

Em 1871 Escobar, que gostava de nadar, morre afogado. No enterro, Capitu, que amparava Sancha, olha tão fixamente e com tal expressão para Escobar morto que Bento fica abalado e quase não consegue pronunciar o discurso fúnebre. A perturbação, contudo, desaparece rapidamente. Sancha retira-se em seguida para a casa dos parentes no Paraná, o escritório de Bento continua a progredir e a união entre o casal segue crescendo. Até o momento em que, cerca de um ano depois, advertido pela própria Capitu, Bento começa a perceber as semelhanças de Ezequiel com Escobar. À medida que o menino cresce, estas semelhanças aumentam a tal ponto que em Ezequiel parece ressurgir fisicamente o velho companheiro de seminário.

As relações entre Bento e Capitu deterioram-se rapidamente. A solução de colocar Ezequiel num internato não se revela eficaz, já que Bento não suportar mais ver o filho, o qual por sua vez, se apega a ele cada vez mais, tornando a situação ainda mais crítica.

Num gesto extremo, Bento decide suicidar-se com veneno, colocado numa xícara de café. Interrompido pela chegada de Ezequiel, altera intempestivamente seu plano e decide dar o café envenenado ao filho mas, no último instante, recua e em seguida desabafa, dizendo a Ezequiel que não é seu pai. Nesse momento Capitu entra na sala e quer saber o que está acontecendo. Bento repete que não é pai de Ezequiel e Capitu exige que diga por que pensa assim. Apesar de Bento não conseguir expor claramente suas idéias, Capitu diz saber que a origem de tudo é a casualidade da semelhança, argumentando em seguida que tudo se deve à vontade de Deus. Capitu retira-se e vai à missa com o filho. Bento desiste do suicídio.

Durante a discussão fica decidido que a separação seria o melhor caminho. Para manter as aparências, o casal parte pouco depois rumo à Europa, acompanhado do filho. Bento retorna a seguir, sozinho. Trocam algumas cartas e Bento viaja outras vezes à Europa, sempre com o objetivo de manter as aparências, mas nunca mais chega a encontrar-se com Capitu. Tempos depois morrem D.Glória e José Dias.
Bento retira-se para o Engenho Novo. Ali, certo dia, recebe a visita de Ezequiel de Albuquerque Santiago, que era então a imagem perfeita de seu velho colega de seminário. Capitu morrera e fora enterrada na Europa. Ezequiel permanece alguns meses no RJ e depois parte para uma viagem de estudos científicos no Oriente Médio, já que era apaixonado da arqueologia. Onze meses depois morre de uma febre tifóide em Jerusalém e é ali enterrado.

Mortos todos, familiares e velhos conhecidos, Bento/Dom Casmurro fecha-se em si próprio, mas não se isola e encontra muitas amigas que o consolam. Jamais, porém, alguma delas o faz esquecer a primeira amada de seu coração, que o traíra (ou não?) com seu melhor amigo. Assim quisera o destino. E para esquecer tudo, nada melhor que escrever, segundo decide, uma História dos subúrbios do Rio de Janeiro.

2. Personagens principais

Bentinho/Dom Casmurro

Dividido entre a saudade da juventude irrecuperável e a meditação sobre seu caminho existencial, Bento Santiago ora manifesta certa condescendência diante do espetáculo do mundo, apreciando certos prazeres da vida, ora demonstra seu desencanto em reflexões melancólicas sobre a realidade. Este último sentimento, que domina a fase de maturidade do protagonista/narrador, acaba dando o tom a todo o romance. Consciente de sua ingenuidade no passado, não exacerba seu pessimismo e se mantém num equilíbrio filosófico que lhe permite assimilar as lições da vida e viver com certa paz interior. Em termos estritamente pessoais, Bento Santiago é um homem que pagou o preço de sua existência e aparou o suficiente os golpes do destino para poder ordenar a realidade e manter sua identidade. Em termos sociais, é o membro de uma classe superior para quem tudo se resume, na vida, em saber salvar as posses e as aparências, o que, em última instância, é a mesma coisa.

    Capitu
Mudando de classe social através das armas da inteligência e da sensualidade, Capitu, com seus 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada', se perde - para o protagonista/narrador - em virtude de um autocontrole pouco desenvolvido, isto é, em virtude de não submeter-se aos limites impostos pela condição social a que ascendera. Mostra-se capaz de envolver Bentinho mas incapaz de dominar o mundo em que passa a integrar-se após seu casamento.

 Escobar
Com um perfil pouco desenvolvido no romance, Escobar é, em síntese, um homem de ação, pouco dado a especulações sobre o mundo. Sua carreira de comerciante e seu gosto pelo esporte - que o leva à morte - o contrapõem a Bento Santiago. É um personagem simples e linear, o que o configura como um perfeito parceiro de traição.

Sancha
Mais limitada e menos vital que Capitu, Sancha é seu oposto, como fica claro no fugaz incidente com Bento Santiago, quando ela recusa a dar o passo que levaria além dos limites impostos à sua condição de mulher casada.

D. Glória

Uma boa criatura, descendente de famílias tradicionais da aristocracia mineira e paulista, D. Glória se atém rigidamente às normas do grupo social e, apesar de ser ainda bela e jovem ao tornar-se viúva, recusa qualquer outro tipo de ligação com homens, dedicando-se às tarefas de administrar os bens, cuidar do lar e educar o filho. Como diz o protagonista/narrador, 'teimava em esconder os saldos da juventude, por mais que a natureza quisesse preservá-la da ação do tempo'. É a figura clássica da matrona ilibada e inatacável.

José Dias
Amante dos superlativos e da bajulação, as convicções de José Dias oscilam de acordo com os interesses dos membros da família a que se agregara. Neste personagem, Machado de Assis traça um perfil magistral de um grupo social típico da sociedade escravocrata brasileira do séc. XIX: o homem livre, mas sem posses, que, tanto por seu próprio interesse quanto por interesse da classe proprietária, integra-se em um clã e perde a própria identidade em troca dos favores que o mantêm vivo, livre e desfrutando de certo status social.

Padre Cabral
Apesar de ocupar um lugar discreto na obra, o padre Cabral encarna, claramente, a Igreja como instituição, como um núcleo de poder que, em plano secundário mas com certa importância, caracterizava a sociedade brasileira do séc. XIX, particularmente antes da República, a partir da qual separaram-se Igreja e Estado.

3. Estrutura narrativa

Em 218 capítulos, geralmente bastante curtos, Dom Casmurro é a narração, feita em primeira pessoa pelo próprio protagonista, da vida de Bento de Albuquerque Santiago, o Bentinho. A trajetória existencial recomposta vai do ano de 1857 até meados da década de 1890, quando o narrador, já quinquagenário, se debruça sobre o passado, apresentando-o e, ao mesmo tempo, analisando-o à distância, do que resulta uma estrutura narrativa em que se alternam a narração da ação e a reflexão sobre a mesma, ambas tendo por palco o RJ da segunda de do séc. XIX.


Nesta tarde chuvosa, palavras de Clarice.


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"Sou feita de urgências. Minhas alegrias são intensas. As tristezas, absolutas. Me entupo de ausências. Me esvazio de excessos."



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"Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira."

CAINDO DO CÉU


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Quando tudo parece perdido, buscamos as ilusões, os devaneios.
Quando pensamos que  as saídas estão todas trancadas a sete chaves, pulamos o muro do desespero.
A chuva se mistura com pingos de incerteza que insistem em cair sobre nossas cabeças.
E esperamos...
Um milagre.
A sorte.
Qualquer coisa que nos faça pensar que isto tudo vai passar.

Dias de chuva


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Dia de chuva
bolinhos de chuva
cobertor e sofá


café na cama
carinho de quem ama
fazer nada,só namorar


tudo isso?
utopia
hoje é dia de ir trabalhar....

Indignação


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Há controvérsias sobre a autoria dos versos abaixo.Alguns acreditam ser do poeta russo Wladimir Maiakóvski, outros do brasileiro Eduardo Alves da Costa.Não importa, são verdadeiros.O poema é antigo, mas a indignação é recente A verdade é que, seguros dos nossos direitos e deveres, não sabemos a que momento nos roubarão dentro ou fora de nossas casas.Trabalhamos para garantir nossa sobrevivência e nosso bem-estar,mas somos "pegos de surpresa" quando nos tiram o que nos é de direito, fruto de dias e dias de trabalho.E ainda damos graças a Deus por não ter nos tirado o bem mais precioso: a vida. Despertar é preciso.



"Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada."

TRABALHO DE LITERATURA - 5ª SÉRIE - REI ARTHUR


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"Apaixonada pelas fábulas medievais que sou, tentei trazer para esta adaptação um pouco do clima da época,misturando elementos de magia, intrigas e o típico humor desses personagens.Espero que o feitiço cause o efeito desejado."

SE AINDA HÁ PRIMAVERA, COLHAMOS FLORES... ...


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Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim, florida; pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder...para me encontrar....


Florbela Espanca 

Especial - 7ª série - DOM CASMURRO


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Dom Casmurro - leia aqui

SABEMOS RECONHECER A BELEZA


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Para Platão, as coisas perfeitas existiam antes das almas virarem corpos.Para Schopenhauer, os corpos sabem reconhecer a beleza totalmente.Apenas se atrapalham ao tentarem explicá-la.

Ulisses Tavares


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"A poesia, atualmente, talvez tenha mais a nos ensinar do que as ciências econômicas, as ciências humanas e a psicanálise reunidas."

Dissonante


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"De repente te pegam de jeito e começam a dissertar sobre um assunto que não lhe diz respeito, sem indagar se você está com tempo.O objetivo não é elucidar, informar ou divertir e relaxar.Nada!E você pensa: Posso ir agora? Quando o monólogo termina, depois de fazer do seu ouvido um penico, e o som da voz da criatura ainda ressoa nas bordas como uma banda desafinada, vem a pergunta: Será que eu já tive esse comportamento absurdo com alguém?"

Dias...


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Há dias em que acordo com uma vontade imensa de ser uma mulher que nunca fui.Com desejos absurdos e atitudes insanas.Há dias em que tenho vontade de me vestir de azul, de encher o coração de esperança, pendurar um girassol na lapela e cantar para uma multidão.Há dias em quero pintar o cabelo de loiro, as unhas de vermelho sangue.Há dias que quero pegar o meu carro em altíssima velocidade, viajar quilômetros para chegar numa cachoeira, e aproveitar minha nudez de corpo e alma.Há dias que quero ser apenas uma mulher sem carências, ilusões ou saudades.Fechar numa gaveta todos os amiúdes...

Espelho


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"Tenho bobagens repentinas, carências urgentes, ausência de respostas, ansiedade concentrada, angústia que talha a carne, ciúme que dilacera o orgulho.Tenho saudade, receio e sorriso.Sentimentos vagos, carinhos inexplicáveis, paixões fulminantes e tesão noturno às terças-feiras.Mania de escrever, de me desculpar e de errar sempre os mesmos erros.Você consegue se definir?Ou sempre falta alguma coisa?"

Ora o sol, ora a lua


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Freud, se fosse poeta, em vez de falar em consciente e inconsciente, teria dito: Nós, como a Terra, somos iluminados ora pelo Sol, ora pela Lua.Os pensamentos e sentimentos que temos quando iluminados pela luz do sol não são os mesmos sentimentos e pensamentos que temos quando iluminados pela Lua.Sol: o mundo brilha e somos inundados por suas cores e formas.Lua:luz suave, cheia de sombras e indefinições.Sob a luz do Sol trabalhamos.Sob a luz da Lua nós amamos.(Rubem Alves)

Quando alguma coisa me aflige, escureço a minha alma.Não sinto a luz da lua para o amor.Sinto para fechar-me em ansiedade.Tenho certeza  de que os que me conhecem, sabem que este não é o meu melhor momento.Toda mudança é passageira, mas dolorida.Ainda tentando adaptar, sei que ainda virão muitos obstáculos.


Doce de Aninha


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(...)vive dentro de mim  

a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
meia casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.(...)

Cora Coralina

Azul


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"Para vermos o azul, olhamos para o céu.A terra é azul para quem olha do céu.Azul será uma cor em si, ou uma questão de grande nostalgia? O  inalcançável é sempre azul."


Clarice Lispector



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"Um anjo vem todas as noites:
senta-se ao pé de mim, e passa
sobre meu coração a asa mansa,
como se fosse meu melhor amigo.
Esse fantasma que chega e me abraça
(asas cobrindo a ferida do flanco)

é todo o amor que resta
entre ti e mim, e está comigo."

Lya Luft






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setembro


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Assim como uma gestação, meu blog completa neste 9º mês 1000 visitas.Obrigada a todos os amigos (conhecidos pessoal e virtualmente), meus alunos e minha família por deixarem aqui sempre palavras carinhosas.
Setembro chega.É certo que com ele a primavera chega.Os pássaros e as flores serão outros.Escutemos os sons das árvores balançando ao sabor do vento.Os cheiros adocicados misturados à nossa natureza humana quase sempre tão fria.Sintamos a primavera.Pois ela chega com toda suavidade e esplendor.


Debaixo d'água - Maria Bethânia


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Debaixo d'água tudo era mais bonito
Mais azul, mais colorido
Só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo d'água se formando como um feto
Sereno, confortável, amado, completo
Sem chão, sem teto, sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Debaixo d'água por encanto sem sorriso e sem pranto
Sem lamento e sem saber o quanto
Esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo d'água ficaria para sempre, ficaria contente
Longe de toda gente, para sempre no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia
Debaixo d'água, protegido, salvo, fora de perigo
Aliviado, sem perdão e sem pecado
Sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo d'água tudo era mais bonito
Mais azul, mais colorido
Só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Agora que agora é nunca
Agora posso recuar
Agora sinto minha tumba
Agora o peito a retumbar
Agora a última resposta
Agora quartos de hospitais
Agora abrem uma porta
Agora não se chora mais
Agora a chuva evapora
Agora ainda não choveu
Agora tenho mais memória
Agora tenho o que foi meu
Agora passa a paisagem
Agora não me despedi
Agora compro uma passagem
Agora ainda estou aqui
Agora sinto muita sede
Agora já é madrugada
Agora diante da parede
Agora falta uma palavra
Agora o vento no cabelo
Agora toda minha roupa
Agora volta pro novelo
Agora a língua em minha boca
Agora meu avô já vive
Agora meu filho nasceu
Agora o filho que não tive
Agora a criança sou eu
Agora sinto um gosto doce
Agora vejo a cor azul
Agora a mão de quem me trouxe
Agora é só meu corpo nu
Agora eu nasco lá de fora
Agora minha mãe é o ar
Agora eu vivo na barriga
Agora eu brigo pra voltar
Agora
Agora
Agora


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Mês apertado este de agosto.Dias que não paro para escrever, para ler...meu blog ficou um tanto esquecido.Algumas atribulações às vezes nos tiram da nossa rotina, bagunçam um pouco a vida.Mas nada que não possa ser resolvido.O corpo cansa, a alma também.Se o coração sofre, pela veia mais dolorida, a do cordão umbilical, fico mais  sensível, sinto perder um pouco o foco. Tudo vai dar certo.


Que, finalmente, o outro entenda: às vezes me esforço mas não sou nem devo ser a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa - uma mulher.


Que o outro não me considere sempre disponível, sempre compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.


Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.


Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.


Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza.


Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.


Lya Luft



Fanatismo - Florbela Espanca


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Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah!  Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Escolha


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Lindas palavras de Elisa Lucinda.


Eu te amo como um colibri resistente
incansável beija-flor que sou
batedora renitente de asas
viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.
Pingas na minha boca umas gotas poucas
do que nem é uma vacina.
Eu uma mulher, uma ave, uma menina…
Assim chacinas o meu tempo de eremita:
quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias
as que vestiram meus pés
quando caminhei as areias.

Eu te amo como quem esquece tudo
diante de um beijo:
as inúmeras horas desbeijadas
os terríveis desabraços
os dolorosos desencaixes
que meu corpo sofreu longe do seu.
Elejo sempre o encontro
Ele é o ponto do crochê.
Penélope invertida
nada começo de novo
nada desmancho
nada volto

Teço um novo tecido de amor eterno
a cada olhar seu de afeto
não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos.
Cega do infortúnio
pesco os peixes dos nossos encaixes
pesco as gozadas
as confissões de amor
as palavras fundas de prazer
as esculturas astecas que nos fixam
na história dos dias. 

Eu te amo.
De todos os nossos montes
fico com as encostas
De todas as nossas indagações
fico com as respostas
De todas as nossas destilarias
fico com as alegrias
De todos os nossos natais
fico com as bonecas
De todos os nossos cardumes
as moquecas.

Doce de domingo


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Inspirada no blog da Glorinha de Lion- cafecomglorinha.blogspot.com, resolvi escrever sobre uma outra paixão, além é claro, a de escrever e devorar livros.Glorinha outro dia, contou-nos sobre o delicioso "molho combina com tudo" ( e olha que combina mesmo), vou apresentar a vocês o meu doce preferido para aquele domingão à tarde, em casa com três filhos implorando: "mãe, faz um doce!".Além de gostar muito de doces, também adoro ficar na cozinha inventando coisa boa e testando outras que vejo por aí.
Devo ressaltar que não é uma receita minha e sim uma adaptação do famoso crepe de Arraial d'Ajuda - Os deliciosos crepes da Miloca(não dá para visitar Arraial sem comer um crepe salgado e alguns crepes doces. Quando visitar a Bahia, lembre-se desta dica e não deixe de provar o de Strognoff (salgado) e o de Nuttela (que adaptei para fazer em casa)
Faço uma massa básica de Panqueca, tudo batido no liquidificador: 2 ovos, 1 xíc de leite, 1 xíc. de farinha de trigo, 1 colher de café de pó royal, 1 pitada de sal, 1 colher de sopa de óleo de canola, 2 colheres de sopa de açúcar.Unto uma frigideira (teflon) e vou "assando" as panquecas bem fininhas.Depois faço uma caldinha de açucar, corto umas 6 bananas (prata), polvilho canela em pó e deixo dourar um pouquinho.Agora é só montar.Abra a panqueca  e passe uma "generosa" camada de Nuttela, coloque a banana, dobre a panqueca, coloque uma bola de sorvete de creme e use calda de sorvete de chocolate(não tinha, por isso não coloquei) para decorar.A parte mais difícil agora :SABOREAR! Sem culpa e sem contar calorias.Experimente aí e  me diga se valeu a pena. Acabamos de comer aqui... Abraço.


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  Ah, como os mais simples homens são doentes e confusos e estúpidos ao pé da clara simplicidade e saúde em existir das árvores e das plantas.Sejamos simples e calmos, como os regatos e as árvores, e Deus amar-nos-á fazendo de nós belos como as árvores e os regatos, e dar-nos-á verdor na sua primavera, e um rio aonde ir ter quando acabemos.(Alberto Caeiro)








Os ipês amarelos estão floridos...Quanta graça e beleza! Uma beleza efêmera que traduz a presença de Deus.