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VIAGENS DE GULLLIVER - vídeo


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LER É TUDO DE BOM!!!
Leia a opinião da autora Ana Maria Machado sobre o livro As VIAGENS DE GULLIVER, Jonathan Swift:

A história das viagens de Gulliver foi uma das que mais encantaram minha infância. Lembro perfeitamente as figuras que meu pai me mostrava num livro grande, à medida que ia contando. Tinha um homenzarrão deitado no chão todo amarrado por cordinhas, e um monte de pessoas minúsculas em volta. Em outra página, o que me fascinava era uma cidadezinha em miniatura, completa, com casas, igreja, uma feira, carroças, cavalos e uma porção de gente. E depois, aparecia o herói em pé dentro d’água puxando uns navios que pareciam de brinquedo...Em seguida, quando chegava outra parte da história era o próprio Gullliver que virava um brinquedo, nas mãos enormes de uma menina,ou em sua casinha de boneca.Uma história incrível, divertida, que me fazia viajar também, só que na imaginação.Eu adorava.

As VIAGENS DE GULLIVER
Contexto histórico e social:

O homem europeu do século XV lançava-se em viagens perigosas, mares desconhecidos. Em Viagens de Gulliver, Swift satiriza aspectos políticos de sua época e revela as dificuldades que as longas viagens impunham aos marinheiros e suas famílias.

Jonathan Swift nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1667. Órfão de pai, que falecera pouco antes de seu nascimento, Swift viveu da caridade de um tio por vários anos. Aos 21 anos, mudou-se para a Inglaterra em busca de melhor sorte. Humanista e contrário à tirania e à injustiça, Swift foi muito influenciado pela tristeza e pela miséria em que viviam os irlandeses, sob o domínio dos ingleses, e se tornou um intrépido defensor do povo oprimido. Por meio da sátira cruel de seus escritos, pretendeu despertar a consciência das pessoas omissas e indiferentes. Swift foi ao mesmo tempo popular e perseguido por autoridades britânicas.

Londres, na época de Swift, era um centro importante, difusor de cultura e economia no mundo todo. Seus cafés eram freqüentados por um público letrado, que discutia as decisões da Câmara dos Comuns, divulgadas em jornais.
Dublin, cidade natal de Swift, capital do Reino da Irlanda, era governada pela minoria protestante da Inglaterra. O domínio inglês já existia há algum tempo. Durante o reinado de Guilherme III (1689 a 1702), o Parlamento britânico passou a ditar as leis para a Irlanda, submetendo o comércio do país e mantendo-o em total dependência; a população vivia o desemprego, a pobreza e a fome. Esses e outros problemas indignavam Swift, fazendo dele um grande crítico de seu tempo.

O livro Viagens de Gulliver é um dos mais conhecidos de Swfit. Nessa obra, são narradas as aventuras do Dr. Gulliver em sua viagem por quatro países imaginários: Lilliput, habitado por seres diminutos; Brobdingnag e seus gigantes; Laputa, com seus sábios que só conheciam matemática e música; a Terra dos Houyhnhnms, uma sociedade formada por cavalos inteligentes e gentis, onde os homens eram irracionais. Inicialmente, Viagens de Gulliver não se destinava ao público jovem. Sob a aparência de uma aventura para crianças, de um "conto fantástico", a obra satiriza a sociedade inglesa do seu tempo, em particular, e a condição indigna a que foi reduzida a humanidade, em geral.




PERGUNTO-TE ONDE SE ACHA A MINHA VIDA


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Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada
de uma verdade minha bem possuída

Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.

E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida
por esperanças hereditárias? E de cada
pergunta minha vai nascendo a sombra imensa
que envolve a posição dos olhos de quem pensa.

Já não sei mais a diferença
de ti, de mim, da coisa perguntada,
do silêncio da coisa irrespondida.



Cecília Meireles

LABIRINTITE


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Inesperadamente, perdi-me em labirintos.Expressão um pouco errônea para designar tal patologia, mas, ao meu ver, cumpre sua função.Confusão total de ações e a sensação de que as coisas perderam o foco.Quatro dias de inércia total, o que para mim, significou tortura.Detesto depender dos outros, pedir que façam por mim, dormir, dormir, repousar...
Enfim, passou... 
Inteira, amanhã recomeço. 


"Na minha memória, tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos."


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Uma nobre verdade:
Entendi que dor todo mundo
sente do mesmo jeito,
pois todos somos gente.

Mas esticar o sofrimento,
isso não, a gente escolhe,
é diferente.


Ulisses Tavares

SAUDADE...


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"Dói, um pouco. Não mais uma ferida recente, apenas um pequeno espinho de rosa, coisa assim, que você tenta arrancar da palma da mão com a ponta de uma agulha. Mas, se você não consegue extirpá-lo, o pequeno espinho pode deixar de ser uma pequena dor para transformar-se numa grande chaga."


Caio F.

SUPERAÇÃO


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Depois de cada momento de fraqueza, meu coração prepara, em silêncio, uma nova fornada de coragem.

Às vezes cansa, sim, mas combinamos não desistir da força que verdadeiramente nos 

move.




http://anajacomo.blogspot.com - Cheiro de Flor quando ri


Ana Jácomo

MUDANÇA


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Recebi este texto da minha amiga Maria Esther.Esta semana, num dos intervalos,  falávamos de aniversários, idades, proximidade dos cinquenta anos sem medo de ser feliz... Para refletir e por que não, mudar!




Mês passado participei de um evento... 

Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. 

E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi. 

Foi um momento inesquecível... 

A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito. 

Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'

Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético cha mado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.

Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. 

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.
A fonte da juventude chama-se "mudança".

De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. 

A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. 

Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos. 

Mudança, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. 

Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. 
Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. 
Rejuvenesceu.

Toda mudança cobra um alto preço emocional. 

Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. 

Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.
Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. 

Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. 

Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no espelho...


Lya Luft

"artealivia"


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Viver intenso
com arte alivia
viver imenso
jogar angústias
e fracassos
na poesia
viver é tenso
sonhar anarquia
viver é tenso
mesmo na alegria


Aroldo Pereira


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"O amor no fim é frágil, frágil para reagir, forte para esquecer."


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"Tente. Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe."




Caio F.


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"De forma bem constante já não julgo importante ser feliz a todo instante.Mas ainda mantenho um desejo ligeiro de ser feliz por inteiro."


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"Tente.Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe."


Caio F.


DIFERENÇAS


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"Amor é coisa engraçada; se é novo, tem calor; se é antigo, tem sabor."


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"Você acha que o nosso amor pode fazer milagres? - Eu acho que o nosso amor pode fazer tudo aquilo que quisermos. É isso que te traz de volta pra mim o tempo todo."


Caio F.



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...Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...


Mário Quintana (trecho)



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"Viro outra vez aquilo que sou todo dia: fechada, sozinha, perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada."
Caio F.

MUITO POUCO


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"...Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais..."

O Delírio da Bruxa


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Um dos meus blogs favoritos, o da Denise Portes é passagem obrigatória para mim todos os dias.Encanto-me com a franqueza, poesia e sensibilidade da autora.Quero mostrar hoje a vocês, meus queridos leitores um pouquinho do talento dela.O lindo texto: As pontes.
Não acredito em coincidências, mas acordei hoje fazendo a mesma busca, procurando o mesmo elo, buscando respostas para um coração confuso.Lá no fundo sei que minha busca já não é tão importante, pois o que procurava já encontrei há tempos.Mas não desisti de ser feliz.


Se por um segundo meus sonhos morrem, algo em mim se dilacera.  A difícil arte de abrir mão de algumas pessoas que já não fazem mais sentido na trajetória. Sempre há perdas nas nossas escolhas, mas também sempre existem ganhos. Vou inventando pontes que ligam e interligam outros mundos, outras fantasias. Nesse jogo de faz de conta, desse mundo imaginário, vou descobrindo verdades e sentido para minha fragilidade. Na bagunça do meu coração eu aprendi a fazer escolhas, que muitas vezes me causam sofrimento. Essa ponte colorida no meio de um sonho brilhante, faz parte dessas minhas busca incessante de ser e estar feliz.

Denise Portes


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"Jogue para cima, se voltar é seu."
Caio F.


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Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca parada, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um caminho.


Caio F. Abreu


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"Primeiro a chuva, depois o arco-íris.Se acostume, a ordem é essa."

Caio F. Abreu

A flor e a náusea


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Preso à minha classe e a algumas roupas
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
(...)

Carlos Drummond de Andrade



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"Quando se controla excessivamente a vida, há cada vez menos vida a controlar", está escrito em um livro.Que graça tem a vida com excesso de controles e regras? De que elas adiantam quando uma enchente ataca a sua casa? Você pode regrar a vida? Pode colocar-lhe regras? Talvez possamos evitar catástrofes, controlando excessivamente a  vida... Será? Fato é que esta frase me inspira muitas reflexões. O que ela traz para você?



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"Não sou para todos.Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias." vc é necessário...não esqueça.."


Caio Fernando Abreu



APARECIDA E CAMPOS DO JORDÃO


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Visitei a "famosa Suíça brasileira", agora em pleno verão, e , mesmo assim pude sentir o friozinho que não quis nos decepcionar e deu o ar de sua graça à noite. A família inteira amou a cidade: florida, muito limpa, com sorrisos acolhedores dos moradores e com um rodízio de fondues... hum...!!!!!!!Maravilhoso.
Finalzinho de férias para ninguém botar defeito.Na verdade, Campos de Jordão foi mesmo uma esticada, pois nosso destino principal em São Paulo, era visitar a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, na cidade que leva seu nome.



Missão cumprida, na esperança que nossas orações  possam agradecer todas as bençãos recebidas por nossa família.


FATIANDO A LUA


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"Com a fome que me encontro, quero comer a lua.E petiscar as estrelas.A sede que tenho é de beber a Via-Láctea...Sinto-me um ser gigante caminhando entre as estrelas fatiando a lua como se fosse um queijo do interior de Minas...Um ser enorme petiscando as estrelas como se fossem azeitonas, das mais saborosas que existem.A Via- Láctea é mais que uma bebida qualquer.E meu licor preferido onde mato a minha sede de poeta."


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“O poder que eu quisera é dominar meu medo.
Por esse grande dom troco meu verso, meu dedo,
meus anéis e colar.
Só meu colo não ponho no machado,
porque a vida não é minha.
Com um braço só, uma só perna,
ou sem os dois de cada um, vivo e canto.
Mas com todos e medo, choro tanto
que temo dar escândalo a meus irmãos.
...................................................................................
Tristeza é o nome do castigo de Deus
e virar santo é reter a alegria.
Isso eu quero.”





Adélia Prado







Reconstituição


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90337281, Kohei Hara /Digital Vision


Tive de repente
saudade da bebida que eu estava bebendo...
tive saudade e tentei me lembrar que gosto faltava,
qual era a bebida...
Fui procurando entre copos e móveis
e dei com sua boca.

A saudade era dela
A bebida era o beijo.



Elisa Lucinda

LONGE DE CASA...


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Saudade é um pouco como fome.Só passa quando se come a presença.Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

Clarice Lispector.

Blog da Mel


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Minha filha pediu-me esta semana para ter um blog.Não sei se inspirada ou influenciada pelas visitas ao meu.Disse que queria "postar" poesias suas e de outros poetas.Sem dúvida muito cedo, mas resolvi estimular a escrita e mais ainda  a sua leitura.Com apenas 8 anos, sinto-me extremamente orgulhosa com os pequenos frutos que começam a surgir das sementes plantadas por nós.
Caros leitores, por favor, façam uma visitinha.Mãe e filha agradecem.

www.melissapoesia.blogspot.com


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"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."


Clarice Lispector



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(...)farei o possível para não amar demais as pessoas,sobretudo por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz.

Clarice Lispector

PEQUENO ESCLARECIMENTO


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Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio  em que escrevo e em que tu me lês.

Mario Quintana

COMPANHEIRO


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Como não assisto novelas (nada contra, há quem goste) não presto muita atenção nas trilhas sonoras.Ontem tive o privilégio de ouvir a linda canção abaixo, entoada por meu tio Luiz Pena, um eterno seresteiro. Alguns trechos se encaixam perfeitamente neste início de mês, onde temos a sensação que na verdade, nada mudou.Os dias continuam iguais." Nada muda se você não mudar". "E cante que é bom viver..."







BUQUÊ DE PRESSÁGIOS


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"De tudo, talvez permaneça o que significa.O que não interessa.De tudo quem sabe, fique aquilo que passa.Um gêranio de aflição.Um gosto de obturação na boca.Você de cabelo molhado saindo do banho.Uma piada.Um provérbio.Um buquê de presságios.Sons de gotas na torneira da pia.Tranqueiras líricas na velha caixa de sapato.De tudo, talvez, restem bêbadas anotações no guardanapo.E aquela música linda que nunca toca no rádio."

APRECIO VIVER


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"Prefiro quando a vida me vem de surpresa e me agarra pelas pernas.Quando me vem saborosa e se derrete em minha boca me fazendo querer mais.Quando a vida vem em calmaria plena,em silêncios absolutos.Ou chega musical e sonora cantarolando em voz alta.Quando a vida me vem assim: imagem e cena sequenciada em fotografia.Quando a vida me vem (não importa como),Abraço!Aprecio viver."

ESPERANDO O ANO NOVO...


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"Dia de limpar armários, revirar gavetas, separar o pouco que é meu do tanto que já se perdeu.Processo doloroso, é certo, mas cada vez menos: amadurecer tem suas vantagens.Cortar os laços deixa de ser tragédia sofocliana, olhos furados e um longo caminho de dor.Não: a graça está é no novo, e quem me dera viver só de começos.Trocar o amor que já se empoeirou pelas paixões sublimes, toques e lábios e o 'eu te amo' pronunciado com tanto fervor e certeza.Fênix, quem me dera."


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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.


Clarice Lispector

FELIZ NATAL!


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PAZ,AMOR,FRATERNIDADE, SAÚDE  E GENTILEZA!

Cheiro de flor quando ri


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Lindas palavras de Ana Jácomo, dona de um jardim florido, lindo, leve e colorido...

"Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples.Que o que amacia a vida, acende o riso, convida  a alma para brincar; são essas imensas coisas pequeninas, bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano."

Nao ir embora pra Pasargada - por Lya Luft


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Eu já estava de malas prontas: ia pra Pasárgada— para quem não recorda,ou nunca soube ,é o reino feliz inventado por Manuel,o Bandeira,onde ele iria dormir com a mulher escolhida, na cama do rei.
Bandeira, o nosso, foi um poeta maravilhoso. (Gosto dessa palavra embora ande tão banalizada. Se a gente olhar ou escutar direito,ela ainda diz alguma coisa —e é boa,e forte.)
Lá não tem noticia ruim, desgraça, acidentes, politicagem nem deslealdade. Lá crianças não comem lixo. Lá não existe homofobia, nem declarada nem sutil, lá não se precisa ser competente nem brilhante, ou atleta sexual, ter os melhores cartões de credito, o carro mais potente, o apartamento em Londres ou Paris.
Lá também nao há instituições,e se houvesse,funcionariam.
Lá basta ser gente.
Para lá eu quis escapar deste reino das frases infelizes e atitudes grotescas, dos reis feios e nus, das explicações cabotinas, da falta de providências e de autoridade, da euforia apoteótica de um lado, e da realidade tão diferente de outro. Do que nos ronda insuspeitado ou faz caretas na nossa janela, e a gente nao acredita, nem se mexe, se ficarmos quietos o fantasma desaparece e o diabinho recolhe o rabão.
Eu ia embora porque enjoei da repetição obsessiva de fatos que provocam insônia no noticioso da noite e náusea no café da manhã. Ia partir sem endereço, sem telefone, sem email. Levaria comigo pássaros, crianças, e esta paisagem diante da minha janela (com nevoeiro, porque aí é de uma beleza pungente).
Levaria familia, amigos, livros, música e o homem amado.
Na minha nova e mágica terra eu tentaria não escrever mais sobre o que por estas bandas tem me angustiado ou ameaça transformar-se num tédio: sempre os mesmos assuntos? Só mencionaria o que faz a vida valer a pena: as coisas humanas, bons relacionamentos, escolhas positivas, alegria, vida e morte, e o mistério de tudo.
Talvez escrevesse sobre a dor (mas uma dor decente).
Sobre grandes ou pequenas vitórias, como quem deixou de beber ou de se drogar, quem teve coragem de ter um filho, quem sentiu a glória de se apaixonar com mais de sessenta anos, quem conseguiu abraçar um pai, um filho, a mãe que estava afastada.
Nem problema de transporte eu teria: para Pasárgada se viaja com o pensamento. Ainda bem, pois de avião estava sendo loucura e risco —- ainda outro dia vi num aeroporto um simples pai de familia com uma criança nos braços e outra dormindo no banco a seu lado, que, estava lá há quase 24 horas, e, entrevistado sobre aquele desconforto, respondeu: “A casa já caiu, temos de nos conformar “.
Pois eu acho que nem precisamos nos mudar de estado ou país, nem devemos nos conformar. Resignar se é ajudar a implantar o caos e a negligencia generalizada; a passividade é uma dessas alegrias falsas, que a gente devia questionar. Roubaram meu carro, não minha vida; mataram meu amigo, não a familia toda: por trás desses comentarios, que não inventei, espreita uma resignação maligna, que colabora com o mal que nos fazem.
É para rir ou para chorar? Ora rimos,ora choramos, esse é o novo jeito de ser.
Não em Pasárgada.
Para onde eu também levaria as minhas velhas crenças de que não somos totalmente omissos ou sem caráter, portanto este mundo tem jeito—embora às vezes eu não tenha muita fé nisso.
Uma dessas crenças é que a gente pode,sim,ser feliz. A gente pode até se vingar de toda a chatice, a grossura, a crueldade e angustia,—sendo feliz.
Lembro a história da filha adolescente de um amigo, que, rejeitada pelo namorado, passou uns dias em profunda tristeza, mas de repente apareceu na sala, perfumada, olhos brilhantes, pronta para sair. O pai interroga: Ué, filha, voltou com seu namorado? Resposta de inesquecível sabedoria: Não, pai,eu vou me vingar sendo feliz.
“Feliz?” dirão os céticos, os cínicos ou os simplesmente realistas. Pessoas mais graves e sensatas do que eu.
Quero explicar: é as vezes só um relance, uma sensação de estar em razoável harmonia consigo, os outros, o mundo.Pode ser aquela música escutada sem saber de onde veio, a chuva que cai depois do trovão. Pode ser o trovão. Pode ser a pele incrivelmente doce de uma criança, uma voz amada nos chamando, o filho que nos telefona sem maior motivo do que saber como a gente vai, alguém conhecido na rua que nos abre um sorriso.
Poder dar o pão e o leite para os meninos, botar flores na mesa, trazer um perfume novo para a mulher, preparar um prato especial para o marido.
Curtir a natureza e saborear a arte, atender aos necessitados, preparar crianças e jovens para a vida, cultivar gentileza e carinho na família, olhar para dentro de si mesmo e escutar seus desejos e sonhos, e respeitar seus limites, tudo isso é um bom começo.
Talvez seja uma saída. Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar nossa postura nele.
É trabalho de formiguinha, eu sei: abrir-se para o que existe de positivo. Pois a gente pode descobrir ou inventar as coisas positivas, ainda que em alguns lugares, com algumas pessoas, ou escondidas em nós, para usar algumas vezes. Uma pequena Pasárgada em cada um.
Nossa liberdade, aqui onde nao é Pasárgada, é obrigação de escolher: abro os olhos, não abro? Como essa comida, não como? Saio de casa, não saio? Vou no meu carro, ou, por causa da segurança, chamo um taxi? Telefono, fico calada, mando um email ou risco da lista de meus endereços? (O coração sempre foi meu pior conselheiro.)
Sou boa sou má, sou verdadeira sou desonesta, sou lúcida sou louca, cresço ou permaneço, amo ou abandono, ajudo ou torturo—–e assim, com o leque das possibilidades, me foi dado o tormento das opções. Digo sim ou digo nao,ou simplesmente fujo — quem sabe para essa terra perfeita que Bandeira inventou?
Mas na última hora decidi ficar.
Pois, fugindo, eu me sentiria como quem deserta um grupo com o qual tem laços muito fortes: meus leitores. Os que que me acompanham e os que pensam diferente, até os indignados— às vezes por terem lido algo que nem estava ali, ou porque eu de verdade escrevi bobagem, falei no que nao sabia direito. Todos são importantes para mim. Afinal somos irmãos, filhos desta realidade que pode ser quase igual a uma Pasárgada inventada.
Vou me vingar da chatice, da violência, das traições, da burocracia e da corrupção instalada, sendo feliz aqui.
E quando tudo me aborrecer de verdade, quando eu ficar cansada de minhas neuroses e manias, quando as pessoas estiverem demais distraídas, a paisagem perder a graça, a mediocridade instalar seu reinado e anunciarem o coroamento da burrice, —-vou espiar o letreiro que fala de uma riqueza disponível para qualquer um, e que botei como descansa -tela no meu eternamente ligado computador:
Escute a canção da vida.


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"Meditei sobre as borboletas. Vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas."
Manoel de Barros

AMOR - Clarice Lispector


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"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."

GESTOS


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Não sei se acontece com todo mundo, mas final de ano sinto que estou mais suscetível à manifestações sentimentais: qualquer gesto, olhar, fotografia, pedido ou sorriso,  me deixa mais sensível, emotiva, às vezes muito triste.
Hoje, recebi uma rosa.Tão natural, tão singelo e espontâneo este gesto que me causou profunda comoção.Ganhei da minha tia e sogra: Tina.Dona Tiburtina.Tão espontâneo quanto seu gesto foi  a maneira como aconteceu.Afinal a linda rosa de cor rosa, estava ali, sem pedir nada, balançando ao sabor do vento preguiçoso e do calor insuportável da tarde de hoje.Eu também me senti como a rosa, sendo doada como um gesto de carinho, sem pedir nada,mas naquele momento o gesto me deu tudo que eu precisava.Minha mãe dizia que quando recebemos uma rosa, recebemos junto com ela uma "Graça".Só hoje percebi que a Graça é a oferta em si.Com a rosa nas mãos, senti saudades, senti doação, senti carinho e bondade.Neste momento, não precisava de Graça maior.Estava tudo ali.Nas minhas mãos.Ofertada pela calejada mão de 83 anos.Toda a Graça.

Palavras de Cecília...


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"Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa,completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar."

DEZEMBRO


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Ele chega naturalmente cansado.Tão rápido e tão tumultuado, que fatalmente lembro-me das palavras de Drummond onde a necessidade de recomeçar tudo de novo, faz com que alguém tenha a ideia de cortar o tempo em fatias, sendo que doze meses é tempo demais e já estamos no limite da exaustão.Junto com esta atribulação toda, sobra-nos no coração, todos os sentimentos de renovação, bondade e fé que o Natal e o Ano Novo carregam consigo.Cansamos, é verdade, mas a esperança de que os dias serão melhores não se perde.E vamos caminhando, seguindo nosso caminho, desenhando nossa história.C'est la vie...

VISTA CANSADA


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      Nessa época do ano, estamos exaustos: corpo, alma, olhares... ... Mas mesmo com o esgotamento nos pesando , temos um olhar confiante e  a esperança sempre ao lado, caminhando conosco. Olhamos tudo e todos, mas nem sempre vemos.









Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.