Powered By Blogger

Escolha


.





Lindas palavras de Elisa Lucinda.


Eu te amo como um colibri resistente
incansável beija-flor que sou
batedora renitente de asas
viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.
Pingas na minha boca umas gotas poucas
do que nem é uma vacina.
Eu uma mulher, uma ave, uma menina…
Assim chacinas o meu tempo de eremita:
quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias
as que vestiram meus pés
quando caminhei as areias.

Eu te amo como quem esquece tudo
diante de um beijo:
as inúmeras horas desbeijadas
os terríveis desabraços
os dolorosos desencaixes
que meu corpo sofreu longe do seu.
Elejo sempre o encontro
Ele é o ponto do crochê.
Penélope invertida
nada começo de novo
nada desmancho
nada volto

Teço um novo tecido de amor eterno
a cada olhar seu de afeto
não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos.
Cega do infortúnio
pesco os peixes dos nossos encaixes
pesco as gozadas
as confissões de amor
as palavras fundas de prazer
as esculturas astecas que nos fixam
na história dos dias. 

Eu te amo.
De todos os nossos montes
fico com as encostas
De todas as nossas indagações
fico com as respostas
De todas as nossas destilarias
fico com as alegrias
De todos os nossos natais
fico com as bonecas
De todos os nossos cardumes
as moquecas.

Doce de domingo


.

Inspirada no blog da Glorinha de Lion- cafecomglorinha.blogspot.com, resolvi escrever sobre uma outra paixão, além é claro, a de escrever e devorar livros.Glorinha outro dia, contou-nos sobre o delicioso "molho combina com tudo" ( e olha que combina mesmo), vou apresentar a vocês o meu doce preferido para aquele domingão à tarde, em casa com três filhos implorando: "mãe, faz um doce!".Além de gostar muito de doces, também adoro ficar na cozinha inventando coisa boa e testando outras que vejo por aí.
Devo ressaltar que não é uma receita minha e sim uma adaptação do famoso crepe de Arraial d'Ajuda - Os deliciosos crepes da Miloca(não dá para visitar Arraial sem comer um crepe salgado e alguns crepes doces. Quando visitar a Bahia, lembre-se desta dica e não deixe de provar o de Strognoff (salgado) e o de Nuttela (que adaptei para fazer em casa)
Faço uma massa básica de Panqueca, tudo batido no liquidificador: 2 ovos, 1 xíc de leite, 1 xíc. de farinha de trigo, 1 colher de café de pó royal, 1 pitada de sal, 1 colher de sopa de óleo de canola, 2 colheres de sopa de açúcar.Unto uma frigideira (teflon) e vou "assando" as panquecas bem fininhas.Depois faço uma caldinha de açucar, corto umas 6 bananas (prata), polvilho canela em pó e deixo dourar um pouquinho.Agora é só montar.Abra a panqueca  e passe uma "generosa" camada de Nuttela, coloque a banana, dobre a panqueca, coloque uma bola de sorvete de creme e use calda de sorvete de chocolate(não tinha, por isso não coloquei) para decorar.A parte mais difícil agora :SABOREAR! Sem culpa e sem contar calorias.Experimente aí e  me diga se valeu a pena. Acabamos de comer aqui... Abraço.


.






  Ah, como os mais simples homens são doentes e confusos e estúpidos ao pé da clara simplicidade e saúde em existir das árvores e das plantas.Sejamos simples e calmos, como os regatos e as árvores, e Deus amar-nos-á fazendo de nós belos como as árvores e os regatos, e dar-nos-á verdor na sua primavera, e um rio aonde ir ter quando acabemos.(Alberto Caeiro)








Os ipês amarelos estão floridos...Quanta graça e beleza! Uma beleza efêmera que traduz a presença de Deus.

Ostra feliz não faz pérola - Rubem Alves


.


"(...)Tragédia era tragédia.Não existia para eles como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia.Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo.A resposta que encontrou foi da mesma ostra que faz uma pérola:eles não se entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza.A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável.A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado.Ela se basta.Mas ela não cria.Não produz pérolas.São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer.Esses são os artistas.Beethoven - como é possível que um homem completamente surdo, no fim da vida, tenha produzido uma obra que canta a alegria? Van gogh, Cecília Meireles, Fernando Pessoa..."


.

Você já experimentou ficar boiando no mar? O corpo todo solto, sem fazer nada, nenhum movimento, subindo e descendo ao sabor das ondas?Pois é assim que se lê poesia : flutuando ao sabor das palavras, sem pressa, em voz alta, poesia é música.


Rubem Alves

Ontem ao luar.


.

Composta por Catulo da Paixão Cearense, na linda voz de Marisa Monte. Para românticos incuráveis, uma letra de "tirar o fôlego".

insatisfação!


.

Clarice Lispector


.

O blog Clarice Lispector está em festa: 300 mil visitas!!!!!O selo "para todos os  que sentem Clarice " está disponível.
Cada vez que leio um texto, uma frase, um livro de Clarice Lispector, a magia que ela exerce sobre mim se renova e acho isso encantador.


Pedido de adoção


.


Estou com muita saudade
 de ter mãe
pele vincada
cabelos para trás,
os dedos cheios de nós,
tão velha,
quase podendo ser a mãe de Deus
-não fosse tão pecadora.
Mas esta velha sou eu,
minha mãe morreu moça,
os olhos cheios de brilho,
a cara cheia de susto.
Ó meu Deus, pensava
que só de crianças falava:
as órfãs.

Adélia Prado em Oráculos de maio

"já não festejo o dia dos meus anos. nem o dia nem os anos. festejo-me a mim."


.










"Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até o  perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”



Sabedoria.


.


Não te irrites por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio.


Mário Quintana
 


Julho


.

A primavera chega para mim em julho.Recebo este mês com  tranquilidade e melancolia.Sou complicada assim: uma mistura de felicidade e gratidão pelos anos vividos, pelos presentes divinos,pelas pedras no caminho, sopro de saudade, amor... muito amor.Quisera eu ser mais exata, ponderada.Não ter nenhuma gota de insanidade, nem palavras que jamais serão ditas.Mas sou assim: perfeita, imperfeita, sou eu.Feliz idade. 










"Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços meu pecado de pensar."(Clarice Lispector)

No caminho... com Maiakovski.


.






Dedução

Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

Robinson Crusoé - 7ª série / A carta de Pero Vaz de Caminha - relatos de viagem


.



















Os relatos de viagem são produzidos em situações bastante diversas.Historicamente, foram muitas vezes usados como registros oficiais sobre territórios descobertos, explorados ou conquistados por determinado povo.Atualmente esse gênero têm sido, em geral, produzido e publicado com o objetivo de informar ou entreter o leitor, ao retratar lugares e situações incomuns.



A  carta que o escrivão Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei d. Manuel é considerada o primeiro documento da nossa história.É também o primeiro texto literário do Brasil e é o mais minucioso e importante documento relacionado à viagem da esquadra de Cabral ao Brasil. Foi publicada pela primeira vez apenas em 1817, mais de trezentos anos após haver sido redigida, como parte do livro Corografia Brasílica..., de autoria de Manuel Aires do Casal. Isto significa que, até essa época, a história contada sobre a viagem de 1500 foi substancialmente diferente da narrada depois.



"Senhor
Posto que o Capitão-mor desta Vossa Frota e assim igualmente os outros capitães escrevam a Vossa
Alteza dando notícias do achamento desta Vossa terra nova, que agora nesta navegação se achou, não deixarei
de também eu dar minha conta disso a Vossa Alteza, fazendo como melhor que me for possível, ainda que – para
o bem contra e falar – o saiba pior que todos. Queiram porém Vossa Alteza tomar minha ignorância por boa
vontade, e creia que certamente nada porei aqui, para embelezar nem enfeiar, mas do que vi me pareceu.
(...)
A feição deles é parda, algo avermelhada; de bons rostos e bons narizes. Em geral são bem feitos.
Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de cobrir ou mostrar suas vergonhas, e nisso são tão
inocentes como quando mostram o rosto. Ambos os dois traziam o lábio de baixo furado e metido nele um osso
branco e realmente osso, do comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na
ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do lábio, e a parte de dentro do lábio, e a parte que fica
entre o lábio e os dentes é feita à roque-de-xadrez, ali encaixado de maneira a não prejudicar o falar, o comer e o
beber.
(...)
Um deles viu umas contas de rosário, brancas: mostrou que as queria, pegou-as, folgou muito com elas e
colocou-as no pescoço. Depois tirou-as e com elas envolveu os braço e acenava para a terra e logo para as contas
e para o colar do capitão, como querendo dizer que dariam ouro por aquilo. Nós assim o traduzíamos porque esse
era o nosso maior desejo... Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isso nós não desejávamos
compreender, porque tal coisa não aceitaríamos fazer. Mas, logo depois ele devolveu as contas a quem lhe dera.
(...)
Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até outra ponta que contra o
norte vem, de que nós deste ponto temos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas
por costa. Tem, ao longo do mar, em algumas partes, grandes barreiras, algumas vermelhas, outras brancas; e a
terra por cima é toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é tudo praia redonda, muito chã
e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque a estender d’olhos não podíamos ver senão
terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela até agora não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem
o vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho,
porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
As águas são muitas e infindas. E em tal maneira é grandiosa que, querendo aproveitá-la, tudo dará
nela, por causa das águas que tem.
Porém, o melhor fruto dela se pode tirar me parece que será salvar essa gente. E esta deve ser a
principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar.
E que não houvesse mais que ter aqui Vossa Alteza esta pousada para a navegação de Calicute, isso
bastava. Mais ainda, disposição pra nela cumprir-se – e – fazer – o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber:
acrescentamento da nossa Santa Fé!
E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se me alonguei um
pouco, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, me fez pôr assim tudo pelo miúdo.
E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer cousa de Vosso
serviço for, Vossa Alteza há de ser por mim muito bem servida, a Ela peço que por me fazer singular mercê,
mande vir da Ilha de São Tomé de Osório, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê.
Beijo as mãos de Vossa Alteza."
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.
Pero Vaz de Caminha.

__________________________

Os livros mais lidos


.



1 - Crime e Castigo,de Dostoiévski/O romance que marca dez entre dez adolescentes.Publicado em 1866, conta a história de Raskolnikof,um sujeito atormentado que decide matar uma mulher, é surpreendido pelo acaso,tem de cometer outro crime e passa a viver torturado pela culpa.Todos os conflitos do ser humano estão sintetizados nos pensamentos dessa figura que se espreita sinistramente por São Petersburgo.Qual o limite da racionalização de um indivíduo?Até onde sua justificativa conceitual pode permitir um comportamento socialmente condenado?Depois deste livro,você nunca mais vai ter uma resposta definitiva para essas dúvidas.

2 - Dom Quixote,de Miguel de Cervantes/O pai de todos os romances.Dom Quixote leu demais as histórias heróicas de cavaleiros que enfrentavam tudo e todos em nome de uma paixão transcendental e decide se tornar um deles.Apanha no livro inteiro.Sempre acompanhado de seu leal e quase sádico Sancho Pança,enfrenta moinhos imaginários em uma Europa que já não existe. Publicado em duas partes,em 1605 e 1615,o livro estabeleceu um padrão de narrativa distanciada,não raro irônica,que todos os grandes romances seguiriam depois.Mas,deturpado de seu sentido original,ainda é visto como uma história de triunfo ou antitriunfo.Não:é uma conversa que está dentro de cada um de nós.

3 - A Comédia,de Dante Alighieri/Assim como Dom Quixote ,trata-se de uma sátira que os resumos convencionais costumam não acentuar.Mais tarde chamada de A Divina Comédia ,o livro escrito entre 1306 e 1321 por Dante é uma espécie de vingança contra sua cidade,Florença,cujos habitantes são distribuídos pelo inferno e purgatório; apenas alguns merecem o paraíso,especialmente a amada Beatriz e o guia do narrador,Virgílio,o autor de A Eneida .Normalmente exaltado por seu imaginário rico em precisão e sentimentos,o longo poema toscano também é inigualável em sua capacidade de unir o coloquial e o sofisticado,atingindo uma unidade complexa que raríssimos tradutores captam.

4 - Hamlet,de William Shakespeare/Quase tudo que Shakespeare (1564-1616)escreveu merece ser lido. Nenhum autor traduziu como ele as angústias do homem de qualquer época, confrontado entre a palavra e a justiça.Das peças mais famosas, Hamlet (1600 ou 1601) acaba sendo a escolhida por ser a mais filosófica, quase sem ação,sustentada em monólogos inesquecíveis.Mais enxuta que Rei Lear e mais regular que Macbeth, contém toda a ambigüidade da própria condição humana.Com provas tão fracas como o fantasma do pai que lhe aparece,Hamlet parte para se vingar do tio e,sobretudo,da mãe,contando com a falta de tato de sua amada Ofélia.E,ao contrário do que ocorre nas peças gregas,não há equilíbrio a restabelecer no final: apenas a imperfeição de qualquer verdade proferida pelo homem.

5- A Morte de Ivan Ilitch,de León Tolstói
 /Tolstói escreveu Guerra e Paz (1865-69)e Anna Karenina (1875-77),a maior história de guerra e a maior história de amor que o leitor já conheceu. Mas entre nesse mundo exclusivíssimo com A Morte de Ivan Ilitch ,um personagem que ninguém construiu igual no mesmo número de páginas. O pensamento de Tolstói,moralista,grandiloqüente,é de difícil assimilação pelo leitor moderno,mas a descrição do carreirista sem caráter Pedro Ivanovitch se faz nas dez páginas iniciais,nas quais nada,nenhum detalhe, é redundante.Em sua sede de aceitação social,incapaz de ter opinião própria,Ivanovitch leva uma vida covarde e representa o homem no que tem ao mesmo tempo de mais mesquinho e presunçoso:a crença de que não vai morrer.Sua vida é a própria morte.



6 - As Viagens de Gulliver,de Jonathan Swift/Nenhum escritor teve tão poucas papas na língua para descrever a pobreza moral humana do que Jonathan Swift. Ensaísta e panfletário brilhante,ele publica As Viagens de Gulliver em 1726 com a intenção de "envergonhar o mundo, mais do que diverti-lo".E,divertindo-o como poucos, ele põe a nu as pretensões humanas nas viagens de Gulliver a Liliput, Brobdingnag,Laputa e Glubdubdrib,com seus seres vaidosos, imediatistas,bitolados e falsos, sintetizados finalmente nos Yahoos, sujos e degredados e estranhamente semelhantes aos homens. Swift fundou a prosa inglesa moderna e seu livro é a demonstração de que o orgulho humano não é tão racional.
7 - A Odisséia,de Homero/Não há que escolher entre A Ilíada e A Odisséia :os dois livros devem ser lidos.primeiro é o maior poema sobre uma guerra,ao mesmo tempo épico e detalhista,um prodígio de fluência narrativa e invenção melódica. A Odisséia é uma multiplicação ainda maior de histórias dentro da mesma história,a grande viagem de retorno de Ulisses (Odisseu)para sua terra,interceptada por seres fascinantes e lugares surpreendentes,que testam a grande virtude do navegador:sua capacidade de não perder o bom senso no pico das crises,de não ser sugado pelo abismo dos sentidos e dos desejos.Se houvesse um só livro para ler,e esse livro fosse A Odisséia ,não poderíamos reclamar da literatura.
8 - Ulisses,de James Joyce/James Joyce era um sujeito tão excêntrico,tão excêntrico,que um dia teve uma idéia tão ambiciosa quanto óbvia:adaptar A Odisséia para nossa pobre vida cotidiana,sem heroísmos e mitologias,sem destinos grandiosos ou mesmo qualquer destino.E em 1992 ele publicou Ulisses, um relato que comprime em 24 horas de um perambular por Dublin os dez longos e atribulados anos que o Ulisses homérico gastou para voltar a Ítaca.Numa linguagem repleta de inovações,trocadilhos e cortes, perturbadoramente descontínua,entramos na cabeça de Stephen Dedalus, Leopold Bloom e Molly Bloom,três irlandeses aparentemente comuns. E de repente nos sentimos num mundo tão deslocado quanto o de Homero, como se o familiar e o estranho fossem um só.
9 - Em Busca do Tempo Perdido,de Marcel Proust/Publicado entre 1913 e 1927 em sete volumes,este é o maior romance do século, tanto no tamanho como na complexidade.Dezenas de personagens se cruzam em histórias de amor,ciúme e inveja,na França da Belle Époque,e a narrativa vai passando do detalhe ao painel e do painel ao detalhe sem fazer projeções definidas,num constante reajuste de tudo aquilo que nunca será perfeitamente ajustado.A grandeza do romance de Proust pode ser entendida na seguinte equação:há centenas de cenas e figuras memoráveis,mas,tal como um poema,não se pode resumir a história sem prejuízo dela mesma,tal o feitio das frases, modulação das vozes,a inteligência do texto.O micro e o macro nunca se relacionaram assim antes.
10 - As Flores do Mal,de Charles Baudelaire/ A poesia francesa e mundial,a arte e a própria vida nunca mais foram as mesmas depois que Charles Baudelaire escreveu As Flores do Mal, em 1857.Acusada de blasfêmia e obscenidade,a reunião de poemas sobre o tédio e a hipocrisia da vida humana é menos agressiva do que pode parecer.O segredo de Baudelaire,que lhe permitiu se apropriar do passado e preparar o futuro da literatura,foi juntar a eloqüência clássica com as dissonâncias e imprecisões que seriam marcas da modernidade. Numa mesma estrofe,ele vai do sussurro ao grito,do doce ao amargo,e cria uma experiência vital.Baudelaire também foi grande crítico de música e pintura,derrubando o mito de que o crítico é um criador frustrado.


11 - Ilusões Perdidas,de Honoré de Balzac/Personagens tão reais quanto coisas,suas relações com dinheiro,amor e status, a busca pela glória,o choque das gerações,a inveja e o ciúme – todos os sentimentos humanos são recriados por Balzac (1799-1850) neste romance inesquecível.Respire fundo antes de entrar;é aos poucos que Balzac vai acumulando cenas e observações que vão ganhando sutileza e profundidade,e a figura de Lucien de Rubempré,o talento provinciano e romântico que tenta se afirmar em Paris,ao mesmo tempo nos expõe suas fraquezas e mediocridades e nos causa empatia irreversível.


12 - O Vermelho e o Negro,de Stendhal/Ao lado de Ilusões Perdidas ,é o grande romance do século 19. Mas não se assuste com isso ou com o rótulo de "clássico"e suas mais de 500 páginas.Deixe o ritmo de Stendhal (1783-1842)conduzi-lo,e a recompensa virá no conhecimento de Julien Sorel,o pobre ambicioso que quer ascender socialmente numa Paris em convulsão,mas nunca é inteiramente "aceito"porque,dono de um objetivo só,não pertence a grupos e desconhece seus códigos.Como em todo grande romance,não sabemos de que lado ficar.


13 - Madame Bovary,de Gustave Flaubert/Depois de tantos romances sócio-psicológicos majestosos como os de Balzac e Stendhal,Flaubert (1821-80)veio criar uma nova forma de contar histórias.Em Madame Bovary ele se ateve ao enredo tradicional,uma historinha de adultério.Mas colocando a mulher como protagonista e pintando uma galeria de homens patéticos,cada um a seu estilo,Flaubert reverteu a retórica e forjou um estilo cuidadosamente despojado,que rejeita o "crescendo"e o detalhismo.Flaubert revolucionaria a prosa de ficção ao defender que cada história tem seu estilo e a jamais se repetir de um livro para outro.


14 - Tom Jones,de Henry Fielding/Depois da sátira moral de Jonathan Swift em Gulliver ,o romance inglês nunca mais seria o mesmo.Agudo e irônico como Swift,Fielding (1707-54)veio lhe retirar o moralismo e dar um alcance social em Tom Jones ,uma trama realista que envolve pela sensual seqüência de peripécias – amores,duelos,banquetes – comentadas pelo narrador falívele corajoso.A riqueza de personagens,especialmente da virtuosa Sofia,o Graal que Tom persegue,é acentuada pelo encadeamento das ações,em vez de atenuada em estereótipos.Um grande feito literário.


15 - Nicholas Nickleby,de Charles Dickens/Se Honoré de Balzac é o ápice da criação de personagens na Paris da primeira metade do século 19,Charles Dickens o é em Londres.Autor de numerosas histórias que passaram ao imaginário ocidental com uma força única,Dickens atingiu em Nicholas Nickleby (1839)uma energia que não se repetiria nas obras mais maduras e controladas,como David Copperfiel e Bleak House .Ninguém capturou o mundo social que envolve as crianças como Dickens,o impacto do abandono e dos maus-tratos e o sentimento de revolta que esse impacto vai deixar para sempre.


16 - Emma,de Jane Austen/No romance inglês do século 19 algumas mulheres despontaram com uma capacidade impressionante de observação sintética:Charlotte Brontë (Jane Eyre ),George Eliot (Middlemarch )e Jane Austen (1775-1817).Das três,Austen é aquilo que se acostumou a chamar de mais "feminina": suas mulheres parecem frágeis ou impotentes em boa parte do tempo,mas nos momentos cruciais revelam uma força de caráter e expressão que só se adivinhava em detalhes.Os costumes e suas motivações – sempre em torno de casamentos – são descritos com uma finura insubstituível.

Gosto do gosto doce das palavras que me beijam


.




Gosto de senti-las.Gosto de lambuzar-me.O doce néctar das palavras me faz poeta na dor, no amor, no cansaço e na agonia.O gosto doce na boca me seduz.
Minha cabeça já não pesa.O açúcar entorpece.Uma sensação de leveza despudorada e insensata agora me comanda.
As palavras surgem lentas,sem sentido.
Deveras, o efeito doce turbina meu pâncreas e a sensação de tontura permanece.
Que gosto inebriante têm as palavras...
Não quero outra sensação, nem outro sabor.
Só o gosto doce das palavras.


Andréia Souto - (para o desafio de junho da Fábrica de Letras )

Mar e poesia


.

 


"Você já experimentou ficar boiando no mar? O corpo todo solto, sem fazer nada, nenhum movimento, subindo e descendo ao sabor das ondas?
Pois é assim que se lê poesia: flutuando ao sabor das palavras, sem pressa, em voz alta, poesia é música."

Palavras e expressões a que se deve estar atento


.




(Texto de Joseph O'Connor, editado por Hector Othon)
A linguagem dirige nossos pensamentos e colocações para direções específicas segundo as palavras que se usem e a construção das frases e idéias. A linguagem ajuda criar a realidade que se vive, potencializando ou limitando possibilidades.
A habilidade de usar a linguagem com precisão é essencial para se comunicar melhor.
A seguir palavras e expressões a que se deve estar atento ao falar ou escrever:
-Cuidado com a palavra NÃO, a frase que contém "não", para ser compreendida, traz à mente o que está junto com ela. O "não" existe apenas na linguagem e não na experiência. Por exemplo, pense em "não"... (não vem nada à mente). Agora vou lhe pedir "não pense na cor vermelha", eu pedi para você não pensar no vermelho e você pensou. Procure falar no positivo, o que você quer e não o que você não quer;
- Cuidado com a palavra MAS, que nega tudo que vem antes. Por exemplo, "o Pedro é um rapaz inteligente, esforçado, mas...". Substitua MAS por E quando indicado;
- Cuidado com a palavra TENTAR que pressupõe a possibilidade de falha. Por exemplo, "vou tentar encontrar com você amanhã às 8 horas". Tenho grande chance de não ir, pois, vou "tentar". Evite "tentar", FAÇA;
- Cuidado com as palavras DEVO, TENHO QUE ou PRECISO, que pressupõem que algo externo controla sua vida. Em vez delas, useQUERO, DECIDO, VOU;
- Cuidado com NÃO POSSO ou NÃO CONSIGO, que dão a idéia de incapacidade pessoal. Use NÃO QUERO, DECIDO NÃO, ou NÃO PODIA, NÃO CONSEGUIA, que pressupõe que vai poder ou conseguir;
- Fale dos problemas ou das descrições negativas de si mesmo utilizando o verbo no tempo passado. Isto libera o presente. Por exemplo, "eu tinha dificuldade de fazer isso";
- Fale das mudanças desejadas para o futuro utilizando o tempo presente do verbo. Por exemplo, em vez de dizer "vou conseguir", diga "estou conseguindo";
- Substitua SE por QUANDO. Por exemplo, em vez de falar "se eu conseguir ganhar dinheiro vou viajar", fale "quando eu conseguir ganhar dinheiro vou viajar". Quando pressupõe que você está decidido;
- Substitua ESPERO por SEI. Por exemplo, em vez de falar, "eu espero aprender isso", fale: "eu sei que eu vou aprender isso". Esperar suscita dúvidas e enfraquece a linguagem;
- Substitua o CONDICIONAL pelo PRESENTE. Por exemplo, em vez de dizer "eu gostaria de agradecer a vocês", diga "eu agradeço a vocês". O verbo no presente fica mais concreto e mais forte.
Bom final de semana a todos!!!

Texto retirado do blog  de Marcelo Dalla (marcelodalla.blogspot.com)

Jardim


.

"cheiro de flor quando ri"


.

A imagem abaixo foi retirada do perfumadíssimo Blog de Ana Jácomo.Conheci esta semana.Já sou seguidora e fã.Visite e comprove o talento desta artesã das palavras: anajacomo.blogspot.com



Apesar de


.


Uma  das coisas que aprendi é que se deve viver,  apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de,  que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteiro, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.
Clarice Lispector

Tempo?


.


Das palavras que transformam - Um recado para Ivânia


.

"Pra gente aqui sê poeta,   

E faze rima compreta,
Não precisa professor.
Basta vê, no mês de maio,
Um poema em cada gaio,
E um verso em cada fulô."

Patativa do Assaré




Uma das coisas mais fantásticas da poesia é transformar as coisas simples, coisas que nem suspeitamos em eternidade.Faz tempo que "não leio você".O que você escreveu ficou imortalizado.A palavra fez você.Você imortalizou poemas e pessoas através de suas palavras.Onde elas estão agora?
Quero  vê-las aqui. Aguardo.

"Pois aqui começam as palavras!
Quem escreve aponta o lápis com o canivete.
Cada gesto ensaiado entre os dedos da mão direita
desvela um pouco mais da face da lança
com que o homem se veste de Quixote
e desafia os moinhos e os silêncios.
Um pouco mais e a ponta  preta aparece
e ele refaz esse milagre treze vezes
e cantarola uma canção de ninar
enquanto acorda a véspera do poema.
Ele fecha nas mãos a arma da ousadia
e recolhe da mesa lascas de sândalo e poeira.
Assopra dos dedos um pouco de fuligem
e suspira como Deus diante do barro
e como quem  cria quando fala, ele escreve."

Carlos Rodrigues Brandão

"Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar."


.





Contrária  aos meus sentimentos, sinto que gritar agora é inútil.
Não gosto dos meus silêncios.
Mas tenho-os, pois já não tenho escolha.
Minha voz se cala, e a tal ponto a garganta se fecha, que já não encontro mais as palavras.
Até escandalizar está difícil.Meu vocabulário vazio.
Assim como a alma cansada espera o repouso, sigo fatigada dos meus lamentos.
Não há mais nada a perder.

Andréia Souto

Letra e música - Altar particular - Maria Gadú


.

"Sem a música, a vida seria um erro."





Meu bem, que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
Do teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje, sinto que
o tempo da cura tornou a tristeza normal
Então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós


Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo, faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta

Receita de Viver


.





Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as nossas grades, ao invés delas nos libertarmos.
Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal, única. Sou coletivo. Tenho o mundo dentro de mim. Um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho o mar. Por respeito a cada ser humano em todos os cantos da terra, e por gostar de gente - gostar de gostar - é que encontro em cada indivíduo o reflexo do Universo.
As pessoas chamam de amor ao amor-próprio. Chamam de amor ao sexo. Chamam de amor a uma porção de coisas que não são amor. Enquanto a humanidade não definir o amor, enquanto não perceber que o amor é algo que independe da posse, do egocentrismo, da planificação, do medo de perder, da necessidade de ser correspondido, o amor não será amor.
A gente só é o que faz aos outros. Somos conseqüências dessa ação. Não fazer... me deixa extenuado.
Talvez, a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida, não se realizar.
O homem deve viver se realizando.
O realizado botou ponto final.
Não podemos viver, permanentemente, grandes momentos. Mas podemos cultivar sua expectativa.
Acredito em milagre. Nada mais miraculoso que a realidade de cada instante.
Acredito no sobrenatural. O sobrenatural seria o natural mal explicado, se o natural tivesse explicação.
Enquanto o homem não marcar um encontro, consigo mesmo, verá o mundo com prisma deformado. E construirá um mundo em que a lua terá prioridade. Um mundo mais lua do que luar...

Pedro Bloch

Raízes


.



"A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria."(Rubem Alves)
A poesia nasce da simplicidade, da sombra de uma mangueira, do canto de um pássaro, do gosto de fruta madura.Tenho um canto de poesia... Um canto de terra, de casa simples e cheiro de mato. Tenho a inspiração da poesia, a chama do fogão a lenha acesa, a palavra dita e as que ainda estão por vir.Tenho minhas raízes.
Tenho sol e tenho chuva. A brisa no fim da tarde, lua cheia e insetos.
Tenho o universo.E junto com ele:beleza, harmonia, amor e felicidade.Eis minha poesia.
Andréia Souto

Criativamente


.

O texto a seguir foi retirado do blog: "Criativamente" .Achei formidável a maneira como os "motes" são criativos e os textos belíssimos.Uma ótima lição para quem pensa  que escrever "é um bicho de sete cabeças".Inspire-se...






A partir de três palavras que, em nossa opinião, nos definam, escolher duas e, conjugando-as com a palavra “camisola” (a propósito de uma camisola há muito abandonada na sala), escrever um pequeno texto.

Palavras escolhidas:
Silêncio
Alma

Gosto dos meus silêncios.
Gosto de ouvir o que têm para me dizer. Gosto de me deter sobre os seus sons.
É neles que a minha alma é mais verdadeira.
Os meus silêncios são ilhas de calor que apetecem vestir e albergam minha voz.
São um caminhar de passos seguros que me levam para lá de mim, para lá da minha alma.
Os meus silêncios não são solidão, têm cores suaves, são aconchego, cheiram a camisolas quentinhas acabadas de tricotar, sabem a Verão, parecem o mar, são a Paz.
A minha Paz.

A palavra como salvação


.



Curtos momentos não são momentos vazios, rápidos.Ao contrário, são momentos valiosíssimos onde a troca de experiências, os olhares, as leituras (do mundo e de todos) excelem todas as outras leituras.Um grupo de professoras,(sim, todas mulheres!)reunidas com objetivos definidos, descontentamentos, preocupações, soluções e acima de tudo um brilho no olhar que nos difere:todas as rimas de poetas,todas as letras, todos os textos... E a esperança!Ah, essa sim, a esperança de engravidarmos corações e mentes com a descoberta constante da palavra e da escrita, enfim com a descoberta do mundo.Para salvar-nos, para salvá-los, para viver.
Andréia Souto


Clarice Lispector - A descoberta do mundo

Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Hoje repito:é uma maldição, mas uma maldição que salva.
Não estou me referindo a escrever para jornal.Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance.É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui.E é uma salvação.
Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende à menos que se escreva.Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador.Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada...Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros.

Flor de maio, flor da noite, flor de mãe


.

Em dezembro do ano passado,estampei junto com minha saudade a "flor de mãe" como carinhosamente chamamos uma linda flor branca que " só se abre a luz da lua".Falamos ontem sobre a flor, coincidência ou não, citada nos versos de Efrahim Maia.Mais uma vez, na união de nossos mais puros sentimentos fomos levados a emoções passadas, onde já não existe dor, somente um vazio;uma saudade cortante...Entoamos cantigas, derramamos nossas lágrimas, mas não lavamos nossa alma.Rimos, partilhamos e dividimos o que cada um de nós tem de mais puro: as raízes brejeiras, o encanto pelas coisas simples; um pássaro,o fogão à lenha aceso , um pedaço de chão, o sabor da fruta madura.E os momentos são puros, e a veracidade de um verso me vem à cabeça: "as coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão, mas as coisas findas,muito mais que lindas, essas ficarão."Bendita seja a memória, que nestes momentos de ausência, projeta em meu coração sua presença,minha querida mãe, Mires Dalva Pena. Flor da noite - Efrahim Maia Oh, minha flor só e tristonha só se abre a luz da lua só se abre quando sonha a lua clara pelo ar Noite, canta e conta o seu segredo É feitiço ou é brinquedo que ao dormir esquece o medo desabrocha sem pensar Eu oculto minha face pra que ela não me veja Ah! se o coração falasse: Seja minha! Seja minha dor do dia Minha flor da noite Triste alegria minha flor da morte e nas sombras nuas eu me esguio a espiar minha flor só e tristonha só se abre a luz da lua só se abre quando sonha a lua clara pelo ar.

currículo - 2


.

vídeos sobre Currículo - curso técnico


.

Entrevista de emprego - vídeo 2


.

Entrevista de emprego - curso técnico


.

Caros alunos, considero as dicas deste vídeo muito proveitosas. A entrevista de emprego é, para algumas pessoas uma verdadeira "tortura"! Nada melhor do que estar bem preparado, seguir algumas dicas e encarar com personalidade e postura mais uma etapa.Ouçam com atenção e preparem-se: nunca sabemos quando uma boa oportunidade bate à nossa porta.

O querer


.

"Não te quero senão porque te quero E de querer-te a não querer-te chego E de esperar-te quando não te espero Passa meu coração do frio ao fogo. Te quero só porque a ti te quero, Te odeio sem fim, e odiando-te rogo, E a medida de meu amor viageiro É não ver-te e amar-te como um cego. Talvez consumirá a luz de janeiro Seu raio cruel, meu coração inteiro, Roubando-me a chave do sossego. Nesta história só eu morro E morrerei de amor porque te quero, Porque te quero, amor, a sangue e a fogo." Tão intenso quanto o querer; o não-querer dilata as minhas veias, consome minha lucidez, emudece meu grito. Tão doloroso quanto estar só é estar presa a paisagens de outono que já se foram...visões esmaecidas de pessoas. Talvez, por isso, procure tanto outras vozes: para calar-me agora. Andréia

7ª série Biotécnico - Vera Carvalho de Assumpção fala sobre "VIAGEM VIRTUAL"


.

Caros alunos, tive o privilégio de contar com o comentário da autora do nosso livro em estudo .É muito bom compartilhar essas informações com vocês! Vocês podem ler mais sobre Vera Carvalho em : www.veracarvalhoassumpcao.com/ ...Em Viagem Virtual, usei muito da experiência familiar. Não conheci minhas avós. Elas morreram antes de eu nascer, mas tive uma tia que era irmã mais velha de minha mãe e que fez o papel de avó. Ela gostava muito de contar histórias. A família da minha mãe era de São José dos Campos, mas eles vieram para São Paulo e minha tia acompanhou bastante a evolução da cidade. E gostava de me contar as histórias. Eu era pequena, ficava muito tempo na casa dela, pois minha mãe era professora e lecionava, e adorava ouvir as histórias. Quando fiquei mais velha, comecei a pesquisar sobre a cidade de São Paulo no Arquivo do Estado, e fui encontrando um pouco do que ela contava. O livro que tenho publicado em Portugal, é justamente sobre essa pesquisa. No caso é um ensaio. Quando comecei a pesquisar, fui me apaixonando pelas histórias, tanto que tenho muitos contos baseados em processos que ganharam prêmios. Nas Viagem Virtual, coloquei um fato verídico, que têm até o jornal de onde tirei a notícia do desastre. Também fiz um pouco a comparação do que foi a vida "naqueles tempos" com a de hoje. Acho importante as crianças pensarem não só em modernidades no futuro, mas no que foi de fato a vida quando não existiam as modernidades, ou quando elas começavam a chegar. A história do primo, foi um jeito de colocar a Escola de Direito na história. Além da locomotiva e do café, era muito importante a chegada das idéias!!! Foi isso que deu alma a cidade de São Paulo que até então era um simples pouso de tropas! Também acho que todas as meninas tem um primo pelo qual se apaixonam! Kkkkk! E os primos se sentem orgulhosos de ter uma prima apaixonada! Faz parte da adolescência? Talvez! Bem. Fico por aqui. Qualquer outra informação estarei à disposição. E-mail enviado pela autora do livro em 08/04/2010