Archive for 04/10

currículo - 2


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vídeos sobre Currículo - curso técnico


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Entrevista de emprego - vídeo 2


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Entrevista de emprego - curso técnico


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Caros alunos, considero as dicas deste vídeo muito proveitosas. A entrevista de emprego é, para algumas pessoas uma verdadeira "tortura"! Nada melhor do que estar bem preparado, seguir algumas dicas e encarar com personalidade e postura mais uma etapa.Ouçam com atenção e preparem-se: nunca sabemos quando uma boa oportunidade bate à nossa porta.

Escutatória - Rubem Alves


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Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia. Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira. Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião. Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino...“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto... _____________

O querer


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"Não te quero senão porque te quero E de querer-te a não querer-te chego E de esperar-te quando não te espero Passa meu coração do frio ao fogo. Te quero só porque a ti te quero, Te odeio sem fim, e odiando-te rogo, E a medida de meu amor viageiro É não ver-te e amar-te como um cego. Talvez consumirá a luz de janeiro Seu raio cruel, meu coração inteiro, Roubando-me a chave do sossego. Nesta história só eu morro E morrerei de amor porque te quero, Porque te quero, amor, a sangue e a fogo." Tão intenso quanto o querer; o não-querer dilata as minhas veias, consome minha lucidez, emudece meu grito. Tão doloroso quanto estar só é estar presa a paisagens de outono que já se foram...visões esmaecidas de pessoas. Talvez, por isso, procure tanto outras vozes: para calar-me agora. Andréia

7ª série Biotécnico - Vera Carvalho de Assumpção fala sobre "VIAGEM VIRTUAL"


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Caros alunos, tive o privilégio de contar com o comentário da autora do nosso livro em estudo .É muito bom compartilhar essas informações com vocês! Vocês podem ler mais sobre Vera Carvalho em : www.veracarvalhoassumpcao.com/ ...Em Viagem Virtual, usei muito da experiência familiar. Não conheci minhas avós. Elas morreram antes de eu nascer, mas tive uma tia que era irmã mais velha de minha mãe e que fez o papel de avó. Ela gostava muito de contar histórias. A família da minha mãe era de São José dos Campos, mas eles vieram para São Paulo e minha tia acompanhou bastante a evolução da cidade. E gostava de me contar as histórias. Eu era pequena, ficava muito tempo na casa dela, pois minha mãe era professora e lecionava, e adorava ouvir as histórias. Quando fiquei mais velha, comecei a pesquisar sobre a cidade de São Paulo no Arquivo do Estado, e fui encontrando um pouco do que ela contava. O livro que tenho publicado em Portugal, é justamente sobre essa pesquisa. No caso é um ensaio. Quando comecei a pesquisar, fui me apaixonando pelas histórias, tanto que tenho muitos contos baseados em processos que ganharam prêmios. Nas Viagem Virtual, coloquei um fato verídico, que têm até o jornal de onde tirei a notícia do desastre. Também fiz um pouco a comparação do que foi a vida "naqueles tempos" com a de hoje. Acho importante as crianças pensarem não só em modernidades no futuro, mas no que foi de fato a vida quando não existiam as modernidades, ou quando elas começavam a chegar. A história do primo, foi um jeito de colocar a Escola de Direito na história. Além da locomotiva e do café, era muito importante a chegada das idéias!!! Foi isso que deu alma a cidade de São Paulo que até então era um simples pouso de tropas! Também acho que todas as meninas tem um primo pelo qual se apaixonam! Kkkkk! E os primos se sentem orgulhosos de ter uma prima apaixonada! Faz parte da adolescência? Talvez! Bem. Fico por aqui. Qualquer outra informação estarei à disposição. E-mail enviado pela autora do livro em 08/04/2010

Mensagem para "vocês - 6ª série Biotécnico"


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Em um trabalho de história sobre o Egito, o grupo formado por cinco alunos tira a nota mais alta.Eles ficam surpresos: afinal, nenhum deles pesquisou sobre a importância intelectual da rainha Nefertiti, menção elogiada pelo professor - essa parte do trabalho apareceu misteriosamente entre as outras. Depois disso, os jovens passam a receber mensagens de computador, celular e outros meios, todas de personagens históricos mortos há muito tempo.Essa mensagens mencionam a importância de ler e escrever. Agora eles precisam desvendar: quem será o hacker misterioso, e o que ele pretende? Quem foi Nefertiti Nefertiti, cujo nome significa “a mais bela chegou”, foi uma importante rainha egípcia da XVIII dinastia. Foi esposa do faraó Amenhotep IV (mais conhecido como Akhenaton). Nasceu em 1380 a.C e morreu em 1345 a.C. Foi seu marido, o faraó Akhenaton que substituiu o culto politeísta egípcio (crença em vários deuses egípcios) pelo monoteísmo (culto a apenas um deus) no Egito Antigo. Pela imposição do faraó, o rei-sol Aton deveria ser o único deus adorado. Nefertiti seguiu o atonismo imposto pelo marido. Nefertiti teve seis filhas com Akhenaton: Meritaton, Mecketaton, Ankhesenpaton, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré. Alguns egiptólogos defendem a hipótese de que Nefertiti governou o Egito durante dois anos, logo após a morte do marido Akhenaton. A morte de Nefertiti também é misteriosa. Alguns historiadores acreditam que ela possa ter sido assassinada por sacerdotes. Estes, defensores do politeísmo, queriam desestabilizar o faraó e, por isso, assassinaram a esposa que era o braço direito dele. Quer saber mais? Leia : "Mensagem para você" de Ana Maria Machado

"Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras" - Pablo Neruda


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... sim senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derroto-as... Amo tanto as palavras...as inesperadas... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio presentes da onda...

Viagem Virtual - 7ª série


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O livro de Vera Carvalho de Assumpção vai nos levar a uma viagem curiosa. O que iremos descobrir com a personagem Camila? Certamente um pouco da história do Brasil.Vou adiantar um pouquinho para vocês... A "Baroneza" foi a primeira locomotiva a vapor no Brasil e a única transformada em monumento cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Circulou pela primeira vez em 30 de abril de 1854, quando foi inaugurada a Estrada Ferroviária de Petrópolis, fundada por Irineu Evangelista de Souza, Visconde e Barão de Mauá, patrono do Ministério dos Transportes. Foi no ato de inauguração da nossa primeira ferrovia que o Imperador Dom Pedro II batizou de "Baroneza" a locomotiva, em homenagem à esposa do Barão de Mauá, Dona Maria Joaquina. Onde esta locomotiva nos levará?... Leiam os próximos capítulos...

Para a Páscoa - Gentileza!


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"Apagaram tudo C Pintaram tudo de cinza C F A palavra no muro C Ficou coberta de tinta "Apagaram tudo Pintaram tudo de cinza Só ficou no muro Tristeza e tinta fresca Nos que passamos apressados Pelas ruas da cidade Merecemos ler as letras E as palavras de Gentileza Por isso eu pergunto A vocês no mundo Se é mais inteligente O livro ou a sabedoria O mundo é uma escola A vida é o circo Amor palavra que liberta Já dizia o profeta"

Ouvir estrelas - Olavo Bilac


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"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto E abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?" E eu vos direi: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas." E Belchior completa: "enquanto houver espaço,corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto..."