Archive for 11/09

Poesia, eterna herança...


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Legado Deixarei por herança
não o poema mas o corpo no poema aberto aos quatro ventos Pois todo poema é verde e maduro, em areia movediça de angústia, solidão Onde me debato ainda que finja o contrário em busca da verdade e seu chão Deixarei por herança não o poema Mas o corpo repartido na viagem inconclusa Pois todo o poema maduro é um verde poema E, mesmo acabado, se estriba na inconclusão Claro, sem esquecer, o estratagema da paixão Lindolf Bell

A praga moderna - Lya Luft


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"O que somos mesmo, neste período pós-moderno, de que algumas pessoas tanto se orgulham, é estressados" Nossas pestes – que também as temos – podem ser menos tenebrosas do que as medievais, que nos faziam apodrecer em vida. Mas, mesmo mais higiênicas, destroem. E se multiplicam, na medida em que se multiplica o nosso stress. Ou melhor: o stress é uma das modernas pragas. Quanto mais naturebas estamos, mais longe da mãe natureza, que por sua vez reclama e esperneia: tsunamis, tempestades, derretimento de geleiras, clima destrambelhado. Ser natural passou a não ser natural. Ser natural está em grave crise. O bom mesmo é ser virtual – mas isso é assunto para outra coluna, ou várias. Porque, se de um lado somos cada vez mais cibernéticos e virtuais, de outro cultivamos amores vampirescos, paixões por lobisomens, e somos fãs de simpáticos bruxos em revoadas de vassouras. Mudaram, os nossos ídolos. Não sei se para pior, mas certamente para bem interessantes. Pois nosso lado contraditório é que nos torna interessantes, em consultórios de psiquiatras, em textos de ficcionistas. Também na vida cotidiana aquela velhíssima voz do instinto, voz das nossas entranhas, deixou de funcionar. Ou funciona mal. Desafina, resmunga, rosna. A gente não escuta muita coisa quando, por acaso ou num esforço heroico, consegue parar, calar a boca, as aflições e a barulheira ao redor. O que somos mesmo, neste período pós-moderno de que algumas pessoas tanto se orgulham, é estressados. Não tem doença em que algum médico ou psiquiatra não sentencie, depois de recitar os enigmáticos termos médicos: "E tem também o stress". Para alguns, ele é, aliás, a raiz de todos os males. Eu digo que é filho da nossa agitação obsessivo-compulsiva. Quanto mais compromissados, mais estressados: é inevitável, pois as duas coisas andam juntas, gêmeas siamesas da desgraça. Porque a gente trabalha demais, se cobra demais e nos cobram demais, porque a gente não tem hora, não tem tempo, não tem graça. Outro dia alguém me disse: "Dona, eu não tenho nem o tempo de uma risada". Aquilo ficou em mim, faquinha cravada no peito. Um dos nossos mais detestáveis clichês é: "Não tenho tempo". O que antes era coisa de maridos e de pais mortos de cansaço e sem cabeça nem para lembrar data de aniversário dos filhos (ou da mãe deles), agora também é privilégio de mulher. De eficientes faxineiras a competentíssimas executivas, passamos de nervosas a estressadas, stress daqueles de fazer cair cabelo aos tufos. Não sei se calvície feminina vai ser um dos preços dessa nossa entrada a todo o vapor no mercado de trabalho – pois ainda temos a casa, o marido, os filhos, a creche, o pediatra, o ortodontista, a aula de dança ou de judô dos meninos, de inglês ou de mandarim (que acho o máximo, "meu filhinho de 6 anos estuda mandarim") –, mas a verdade é que o stress nos domina. É nosso novo amante, novo rival da família e da curtição de todas as boas coisas da vida. Que pena. Houve uma época em que a gente resolvia, meio às escondidas, dar uma descansadinha: 4 da tarde, a gente deitada no sofá por dez minutos, pernas pra cima... e eis que, no umbral da porta, mãos na cintura ou dedo em riste, lá apareciam nossa mãe, avós, tias, dizendo com olhos arregalados: "Como??? Quatro da tarde e você aí, de pernas pra cima, sem fazer nada?". Era preciso alguma energia para espantar os tais fantasmas. Neste momento, porém, eles nem precisam agir: todos nós, homens e mulheres, botamos nos ombros cruzes de vários tamanhos, com prego ou sem prego, com ou sem coroa de espinhos. São tantos os monstros, deveres, trânsito, supermercado, dívidas e pressões, que – loucura das loucuras – começamos a esquecer nossos bebês no carro. Saímos para trabalhar e, quando voltamos, horas depois, lá está a tragédia das tragédias, o fim da nossa vida: a criança, vítima não do calor, dos vidros fechados, mas do nosso stress. Começo a ficar com medo, não do destino, eterno culpado, não da vida nem dos deuses, mas disso que, robotizados, estamos fazendo a nós mesmos.
Revista Veja , 2/12/2009

Viagens de Gulliver - especial para a 6ª série Biotécnico


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object width="425" height="344">Se eu tivesse que fazer uma lista de seis livros a serem preservados quando todos os outros fossem destruídos, certamente colocaria Viagens de Gulliver entre eles.” Queridos alunos, o livro demorou um pouco a chegar (infelizmente)mas tenho certeza que vocês já se encantaram pelo personagem criado pelo autor Jonathan Swift: Gulliver. Seguem algumas informações para ajudá-los no trabalho. Na época em que a obra foi escrita, o Reino Unido da Grã-Bretanha era formado pela Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda. Os Irlandeses não eram tratados como os demais integrantes, pois sua população era de origem celta e sua religião era católica. Embora tivessem o direito de votar, por serem católicos não podiam ter cargos públicos. A população vivia na mais sórdida miséria. Em 1666 foi vedada a exportação de gado para o reino e começou a criação de carneiro, sendo que o comércio entre as duas ilhas caiu consideravelmente. Como se não bastasse, em 1699, uma outra lei decretada pela Inglaterra proibia a exportação para outros mercados do mundo, tudo sob uma política escravizadora, fazendo com que milhares de fabricantes abandonassem o país, enquanto a Coroa Inglesa devorava a Irlanda. Em 1694, o novo regime, do qual John Locke foi teórico "Ensaio sobre o Governo Civil -1690", foi confirmado pelo Ato do Estabelecimento, que assegurava a sucessão de Guilherme III, à sua cunhada Rainha Ana. As idéias dos filósofos iluministas começam a ser difundidas na Inglaterra e eram: Separação dos Três poderes, a liberdade de comércio e o direito de propriedade; acreditavam na razão humana como a forma autêntica para a compreensão da sociedade, sendo ela a fonte de todo o conhecimento. Havia dois grupos políticos: 1- Tories é o nome do grupo que deu origem ao Partido Conservador. 2- Whigs formavam o grupo que originou o Partido Liberal. Os Tories defendiam as prerrogativas do Rei e os privilégios da Igreja Anglicana e o suporte dos Whigs vinha dos setores da aristocracia e comerciantes de Londres, estes advogando uma política de maior tolerância com católicos e não-conformistas (presbiterianos). Primeira Viagem (A Liliput) - Personagens Principais Sr. Limuel Gulliver - Morador de uma pequena propriedade em Nottinghamshire, terceiro filho de uma família de Cinco. É enviado aos 14 anos para Emanuel College, em Cambridge, onde permaneceu por três anos aplicados aos estudos de Medicina. Torna-se aprendiz do Sr. James Bates. Aplica-se aos estudos da navegação e outras partes da matemática, úteis a quem tenciona viajar. Golbasto Momaren Evlane Gurdilo Shefin Mully Ully Gue - Imperador de Liliput. Monarca de todos os monarcas, mais alto do que os filhos dos homens, agradável como a primavera, confortativo como o verão. Skyresh Bolgolam – Antagonista. Ministro e almirante do rei de Liliput; pessoa de muita confiança do amo e grandemente versada em negócios, mas rabugento e áspero. Sem motivos, torna-se inimigo mortal de Gulliver. Flimnap - Tesoureiro do rei (amigo de Gulliver), deixou de ser amigo mais tarde devido à calúnias envolvendo sua esposa e Gulliver. - Personagens Secundários. Sr. Bates - Mestre, professor, eminente cirurgião de Londres. Srta. Mary Borton - Segunda filha do Sr. Edmund Burton (que era negociante de meias em Newgate Street, que trouxe como dote 400 libras), esposa de Gulliver. William Prichard - Comandante do Antílope, navio em que Gulliver fez sua primeira viagem significativa com destino às índias Orientais. Limtoc - o general. Lalcon - o camareiro. Balmuff - o grande juiz. Redigiu contra Gulliver uma acusação por traição e outros crimes capitais. » Segunda Viagem (Broldingnag) - Personagens Principais Gildrig - Como Gulliver foi chamado na terra dos gigantes. Glumdalclith ou Amazinha - Filha do Gigante, uma menina de nove anos. Esperta para a idade, muito perita na agulha (boa costureira); Carinhosa, amiga e protetora inseparável de Gulliver. Grilbrig - O Fazendeiro. Pai da Amazinha, homem ganancioso, ganhava dinheiro com as apresentações de Gulliver. Quando Gulliver adoece, ele o vende para a rainha de Broldingnag. - Personagens Secundários Rainha - Se dedicava as coisas fúteis do reino, considerava Gulliver uma criatura inteligente que servia para distraí-la. Rei -Possuía grande sabedoria, mantinha longas conversas com Gulliver a respeito da Inglaterra. O Anão da corte -Era o menor adulto do país, com apenas 9 metros de altura, proferia palavras irônicas a respeito do tamanho de Gulliver, invejava-o, pois havia perdido, para ele, a preferência da corte. » Terceira Viagem (Laputa) - Personagens Principais O Rei - Como o restante dos habitantes, dava importância ao estudo da matemática e da música. Munodi - Pessoa de primeira categoria. Foi governador Lagado, capital de Balnibardi, durante alguns anos. Os Batedores - Principal função era despertar tanto o Rei como os habitantes com mascateiros a fim de trazê-los ao assunto atual. Glubbdubdrib - (próxima cidade a ser visitada por Gulliver) Ilha dos feiticeiros ou mágicos. O Rei - Era mágico, invocava os espectros dos mortos para servi-lo durante 24 horas. Atencioso respondia para Gulliver todas as indagações feitas sobre sua cidade. Luggnagg - (Terra dos Imortais) Características Gerais - Povo cortês e generoso, tratam polidamente os estrangeiros. Nasciam muito raramente: Primeiro com uma mancha vermelha e circular na testa (sinal de ser imortal). Essa marca aumentava e mudava de cor com o passar do tempo que seria chamado Struldibrugs. » Quarta Viagem (País dos Houyhnhnms) Amo - Amigo de Gulliver. Cavalo com características humanas: dotado de fala, é ele quem ensina a Gulliver as primeiras palavras da terra dos cavalos. Houyhnhnms - Cavalos falantes, dotados de raciocínio e atitudes humanas. Yahoos - Seres com características humanas com comportamento irracional. "... Tinham a cabeça e o peito cobertos de pêlos grossos, crespos em alguns e lisos em outros;... a pele, de uma coloração castanha de camursa..." principal mensagem transmitida pela obra "Viagens de Gulliver " é que o meio social e político da época e, sobretudo o ser humano, são repletos de vícios e de maus valores éticos. Ao afirmar que, ao escrever a obra pretendia "agredir o mundo, não diverti-lo". O autor pretendia, na realidade, mostrar ao homem como são "ridículos" são seus valores e o seu corportamento e, dessa forma, mostrar quais são os bons valores éticos e morais que devem existir em uma sociedade. Em "Viagens de Gulliver", Swift procura mostrar, através da sátira, a vida política e social da Inglaterra no século XVII. Embora a intenção alegórica mais direta e pessoal esteja relacionada com a política britânica, sua sátira visa especialmente à humanidade. Torna-se evidente a valorização dos padrões civilizados da época: mentalidade burguesa que se consolidaria logo mais no século XIX com o Romantismo.